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Pecuaristas não aceitam que dinheiro público financie monopólio
Produtores e entidades representativos querem que o CADE examine os procedimentos de aquisição das indústrias frigoríficas e criam Conselho Nacional da Pecuária de Corte
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Assessoria de Comunicação da Acrimat
16/05/2012

Mais de 1.500 produtores rurais, entidades representativas do setor produtivo, políticos e autoridades de todo Brasil, participaram do Movimento Nacional Contra o Monopólio dos Frigoríficos, realizado ontem à noite em Campo Grande (MS). Os discursos tinham a mesma tônica de cobrança, para que o BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – pare de promover o monopólio de poucas indústrias frigorificas, com dinheiro público, provocando sérias consequências em toda cadeia da carne. “A concentração dos frigoríficos nas mãos de poucos grupos atinge não só o produtor rural, que fica refém das indústrias, mas também o consumidor que não tem opção de compra”, disse o presidente da Acrimat – associação dos Criadores de Mato Grosso, José João Bernardes. Ele ressalta que “o setor não aceita essa situação e vamos desencadear uma série de ações para evitar que continue”.

Para pontuar o que o setor pretende fazer, foi feita uma carta com as principais diretrizes para frear a liberação de recursos públicos, através do BNDES, para capitalizar grupos frigoríficos “viabilizando seu crescimento e forte inserção em mercados estrangeiros”.  Na carta escrita em conjunto pelos representantes das entidades do setor produtivo, consta que “a concentração, alavancada com recursos públicos, afeta a rentabilidade do negócio pecuário e, consequentemente dificulta a sustentabilidade do setor, baseada no tripé: ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável”.   

Os pecuaristas querem também que o CADE - Conselho Administrativo de Defesa Econômica - analise os procedimentos de aquisição das indústrias frigoríficas e acompanhe a interferência e desdobramentos dessas aquisições, “onde claramente se nota o abuso de poder econômico utilizando-se, como já foi dito, de dinheiro público”. Outra decisão dos pecuaristas foi a criação de um Conselho Nacional de Pecuária de Corte, com o objetivo de encaminhar as questões da cadeia da carne nas instâncias políticas, administrativas e institucionais pertinentes. 

“Essa carta será entregue à Frente parlamentar da Agropecuária da Câmara Federal e no Senado para que o assunto seja levado ao governo federal”, anunciou o presidente da Acrissul - Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul , Francisco Maia. Os senadores Delcídio do Amaral e Waldemir Moka de Mato Grosso do Sul, disseram durante o evento, que uma audiência pública esta sendo preparada pelas comissões econômica e da agricultura das duas casas (Senado e Câmara Federal) com a presença dos grandes frigoríficos, como o JBS e o Marfrig, o CADE, BNDES e outros setores, para discutir a liberação de recursos públicos para grandes empresas, que muitas vezes compram as unidades e as mantêm fechadas.

O segundo encontro do Movimento Nacional Contra o Monopólio dos Frigoríficos já tem data e local. O próximo encontro será realizado em Cuiabá, Mato Grosso, no dia 9 de julho, e coordenado pela Acrimat. Mato Grosso tem o maio rebanho bovino do Brasil, com 29,1 milhões de cabeças e onde a concentração de grupos frigoríficos é grande. O estado possui 39 frigoríficos habilitados com a inspeção federal, mas, apenas 27 estão funcionando. Somada a capacidade de abate dos frigoríficos instalados chega a 38.457 cabeças/dia, considerando os frigoríficos em funcionamento, cai para 30.802 cabeças/dia. Da capacidade instalada total do Estado em 2012, apenas o grupo JBS controla 48%, em 2008 este número era de 14%. O grupo JBS ainda detém 100% da capacidade de abate em operação nas regiões Nordeste e Noroeste do Estado.

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