
Surpreendentes. Assim são os resultados de produtividade de dezesseis cultivares de cenoura avaliadas em sistema orgânico de cultivo no submédio do Vale do Rio São Francisco: Brasília, Alvorada, Karine, Brazlândia, Nantes, Suprema, Redonda de Nice, Nancy, Kuronan, Esplanada, Danvers, Tropical, Nova Kuroda, Alvorada População, Brasília População e Esplanada População.
A produtividade média nacional da cenoura cultivada convencionalmente é de 30,0 toneladas por hectare (t/ha) e a mundial de 22,4 t/ha. As cultivares mais produtivas testadas no campo experimental da Embrapa Semiárido obtiveram incrementos na produtividade, variando entre 136,6% a 181,6% superiores à média brasileira. Mais que isso, porém, todas as que foram submetidas aos testes em condições orgânicas revelaram potencial produtivo acima do que se colhe no país e no exterior (ver tabela abaixo).
Mesmo entre as cultivares que registraram menores produtividades - Esplanada (65,2 t/ha), Kuronan (68,0 t/ha) e Nantes (69,7 t/ha) – os valores alcançaram mais do dobro das médias obtidas no Brasil e no exterior. A relevância desses resultados torna-se maior ainda porque o manejo obedece exclusivamente a práticas orgânicas de plantio.
Embora sejam colheitas obtidas em caráter experimental, as quantidades e as práticas acessíveis de manejo dão a esses resultados caráter de muito promissores para serem empregados na agricultura comercial. Ainda mais que é cada vez mais intenso entre diversos segmentos sociais o questionamento sobre o uso intensivo de adubos químicos e agrotóxicos nos cultivos. Não só pelas contradições econômicas e ecológicas, mas também por desprezar aspectos qualitativos importantes da produção.
As cultivares foram avaliadas entre os meses de junho e setembro, em canteiros de 2,0 m de comprimento por 1,20 m de largura, em espaçamento de 20 cm entre linhas e 4 cm entre plantas, com a semeadura realizada diretamente no canteiro. O desbaste foi feito aos 30 dias após a semeadura, deixando uma planta a cada 4 cm.
A adubação constou de 70 t/ha de esterco caprino, 125 kg ha de sulfato de potássio e 670 kg ha de termofosfato no plantio. Foram utilizados ainda em cobertura, aos 30 dias após a semeadura, 62,5 kg ha de sulfato de potássio e 10 t/ha de esterco, aos 30 e 45 dias após a semeadura.
A cultura foi mantida no limpo no interior dos canteiros, por meio de capina manual. Utilizou-se irrigação por microaspersão com lâminas em torno de 9 mm, feita três vezes por semana e não realizou-se quaisquer tratos fitossanitários. A cenoura foi colhida aos 113 dias após o plantio, quando as folhas apresentavam leve tombamento e amarelecimento, indicativo do ponto de colheita.
Ao todo, foram avaliadas a altura de plantas em cm (medida do solo até a extremidade das folhas mais altas), produtividade total (peso total das raízes, expressa em t/ha), produtividade comercial (raízes com mais de 10 cm de comprimento, livres de rachaduras, bifurcações, danos mecânica, e expressa em t/ha) e massa fresca da raiz (g). Após a colheita realizou-se o plantio de crotalária, como forma de rotação e manutenção e/ou incremento do teor de matéria orgânica, sendo incorporados ao solo por ocasião do florescimento.
Com esta forma de plantio, evita-se os altos custos de fertilizantes químicos e o emprego dos adubos orgânicos melhoram as propriedades físicas e químicas do solo.
A produção orgânica se expandido e aprimorado oferecendo produtos de boa qualidade e a preços finais competitivos. Tem garantido melhor renda aos produtores via redução dos custos de produção, obtendo-se produto de boa qualidade e na intermediação maiores valores de comercialização.
A cenoura (Daucus carota L.) é a quinta hortaliça cultivada no Brasil em ordem de importância econômica, a quarta mais consumida no país. Destaca-se das outras hortaliças pela grande quantidade de vitamina A que possui, nutriente muito importante para a visão, na prevenção da cegueira e xeroftalmia e no crescimento saudável das crianças. É rica em outras vitaminas como B1 e B2 e em sais minerais. As fibras, importantes para o funcionamento do intestino e a pectina, capaz de baixar a taxa de colesterol do organismo, são abundantes na cenoura e constituem mais uma razão para o seu uso na alimentação diária.
O uso correto de cultivar, de acordo com a época de plantio, é um dos fatores que contribui para o rendimento da cultura. A escolha de cultivares que atendam a exigência do mercado quanto à qualidade das raízes, tolerância a altas temperaturas e resistência às principais doenças são essenciais ao sucesso do cultivo. O consumidor brasileiro prefere cenoura de formato cilíndrico, lisas, bem desenvolvidas, sem raízes laterais, com diâmetro de 3,5 cm, comprimento de 15-20 cm, coloração alaranjada intensa, sem ombro e pigmentação verde ou roxa na parte superior.
Tabela 1. Altura de plantas, produtividade total, comercial e massa fresca de raízes de cultivares de cenoura em sistema orgânico de produção. Embrapa Semiárido. Petrolina - PE, 2008.

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