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     04/07/2026            
 
 
    

A demanda pelo uso de recursos renováveis para produção de energia, biocombustíveis e químicos tem levado ao desenvolvimento de biorrefinarias. Nas biorrefinarias, diferentes tipos de biomassa são convertidos por processos biológicos, físicos e químicos a diferentes produtos de interesse (Figura 1). As usinas de cana para produção de açúcar, etanol e energia elétrica no Brasil são bons exemplos de biorrefinarias; entretanto estas ainda se encontram em estágio inicial de desenvolvimento. No futuro, espera-se uma maior integração dos processos de produção, onde os diferentes constituintes da biomassa e resíduos do processo sejam utilizados mais eficientemente.

Figura 1. Esquema simplificado de biorrefinarias

O pleno desenvolvimento de biorrefinarias depende da utilização dos diferentes componentes da biomassa lignocelulósica em processos de produção. Neste sentido, os diferentes componentes da biomassa lignocelulósica (celulose, hemicelulose e lignina) deverão ser processados e utilizados para produção de energia, biocombustíveis e produtos químicos. Neste contexto, microrganismos são essenciais para o desenvolvimento de biorrefinarias, já que são responsáveis por diferentes processos de conversão da biomassa e produção de moléculas de interesse. Microrganismos são capazes de produzir uma vasta variedade de produtos químicos, tais como ácidos orgânicos, álcoois, hidrocarbonetos, e outros. Além disso, podem fornecer vários insumos importantes para um determinado processo de produção, tais como enzimas hidrolíticas. Um bom exemplo da importância dos microrganismos para o desenvolvimento de biorrefinarias é a dependência da obtenção de leveduras (ou bactérias) capazes de fermentar todos os açúcares (açúcares C5 e C6) provenientes da biomassa para o desenvolvimento de plantas de produção de etanol lignocelulósico (Figura 2).

Figura 2. Esquema simplificado de um processo de produção de etanol lignocelulósico. Os microrganismos destacam-se como produtores de enzimas hidrolíticas e na fermentação (leveduras) dos açúcares. SSF: Sacarificação e fermentação simultâneas

Atualmente, várias espécies microbianas são utilizadas em processos industriais, e o número de processos de produção por rota microbiana continua a crescer. Isso porque os microrganismos permitem a produção de moléculas com características específicas, tais como diferentes isômeros de uma molécula – possibilidades a serem exploradas pelas biorrefinarias. A capacidade de moldar geneticamente os microrganismos para aumentar a produção ou mesmo produzir novas moléculas de interesse tem contribuído bastante para a aplicação desses na indústria. Desta forma, tem-se notado que o estabelecimento de programas de melhoramento genético de linhagens microbianas para aplicações em bioprocessos é um passo que auxiliará o desenvolvimento de biorrefinarias.

Programas de melhoramento genético têm sido estabelecidos para os mais diversos fins, e novas linhagens são obtidas a cada dia. Na Embrapa Agroenergia, por exemplo, técnicas de melhoramento genético continuado têm sido aplicadas para o desenvolvimento de leveduras para, entre outros, fermentação de açúcares C5 e C6 provenientes de biomassas lignocelulósicas. Neste contexto, pesquisadores têm aplicado estratégias de melhoramento genético continuado para obtenção de linhagens superiores (Figura 3). A estratégia é baseada na seleção de genes, enzimas e linhagens hospedeiras, os quais podem ser combinados de diferentes formas em estratégias de engenharia metabólica.  A engenharia metabólica é atraente por permitir a inserção de novas vias metabólicas e, consequentemente, novas características em organismos tradicionalmente utilizados na indústria. A caracterização das novas linhagens geradas e o melhoramento genético continuado das mesmas permite o desenvolvimento de linhagens superiores para aplicação em bioprocessos (Figura 3). 

 

Figura 3. Etapas da estratégia de melhoramento continuado para obtenção de linhagens microbianas aplicáveis em bioprocessos

Atualmente, diversos grupos têm utilizado técnicas de engenharia metabólica para o desenvolvimento de linhagens microbianas produtoras de bioetanol e outros químicos. Por exemplo, leveduras do gênero Saccharomyces, o microrganismo utilizado mundialmente na produção industrial de etanol, não são naturalmente capazes de fermentar xilose, o C5 mais abundante na natureza. Entretanto, linhagens dessa levedura capazes de metabolizar xilose vêm sendo construídas por engenharia metabólica.  Na Embrapa Agroenergia, a construção de leveduras Saccharomyces capazes de produzir etanol a partir de xilose é baseada na expressão de genes codificantes para enzimas da via de metabolismo de xilose em linhagens específicas dessa levedura (Figura 4). Para tanto, bancos de germoplasma microbiano e bibliotecas metagenômicas são triados para seleção de enzimas da via de xilose. Posteriormente, os genes codificantes para tais enzimas são introduzidos em linhagens previamente selecionadas e melhoradas de Saccharomyces sp. Ao final, estas leveduras devem ser utilizadas para a produção de bioetanol de segunda geração, onde vários açúcares liberados a partir da hidrólise da celulose e hemicelulose são convertidos a etanol. Assim, o desenvolvimento de microrganismos com características especialmente desenhadas para aplicações em bioprocessos, tais como bioetanol a partir de xilose, mostra-se como importante etapa para o desenvolvimento de biorrefinarias.

 
Figura 4. Estratégia de engenharia metabólica para construção de linhagens de levedura Saccharomyces cerevisiae capazes de fermentar xilose

 

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karol
17/07/2016 - 23:01
QUAL O ANO DA PUBLICAÇÃO DESTE ARTIGO, NãO CONSIGO ENCONTRAR.

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