
O Brasil trancafiou com sete chaves seus técnicos, calando, assim, um segmento que em qualquer país desenvolvido representa um vetor determinante na alavancagem e perpetuação do desenvolvimento socioeconômico e político. Não há, nem haverá nunca, prosperidade divorciada da informação tecnológica.
Em contrapartida à imensidão territorial brasileira, afiguram-se gigantescos os problemas brasileiros, sendo que o maior de todos é, sem sombra de dúvida, a eliminação gradativa da fome e da pobreza, a promoção do bem-estar social – aliada a uma distribuição mais justa da riqueza – que passa necessariamente pela maior quantidade de produção de alimentos saudáveis, funcionais, seguros e de alta qualidade.
No cenário pós-moderno do agronegócio (globalizado) encontramos grande parte da produção de alimentos tendo origem na pequena propriedade, mais precisamente, na agricultura familiar. Certo também é que tal atividade produtiva – expressiva no âmbito nacional – carece de assistência técnica e informações básicas, tais como: adubação do solo, controle de pragas e doenças, podagem, irrigação, plantio diversificado, colheita, ensacamento de fruto, arrumação, conservação, transporte, distribuição, preço, propaganda, comercialização, negociação e muitas outras – a lista é enorme. Está na hora dos técnicos (agrícolas e outros) entrarem em cena para alavancar uma posição de destaque na ajuda que podem – e devem – oferecer à “pequena” produção oriunda do meio rural familiar. Precisam, evidentemente, de formação, treinamento e desenvolvimento, e mais ainda – de valorização profissional.
Os países que estão na vanguarda, hoje, dando certo e validando o paradigma de potência mundial, lá estão porque edificaram um modelo técnico de desenvolvimento e, com muito esforço, empenho e sacrifício, estão tentando, a cada dia, segui-lo e aperfeiçoá-lo. Ao lançar foco, dentro dessa linha de pensar, no modelo de desenvolvimento que o Japão há muito vem adotando, identifica-se, com certeza, uma forte participação do técnico e do desenvolvimento tecnológico na edição de planos estratégicos, que foram capazes de colocar a nação numa posição invejável do ponto de vista do desenvolvimento da qualidade de seus produtos/serviços e da implementação da excelência da ação gerencial que, por incrível que pareça, não é uma criação japonesa, mas sim o resultado de um processo de assimilação dos paradigmas da administração americana ao longo de algumas décadas.
Desta forma, a qualidade de vida do povo japonês ficou ampliada, palavras como competência, respeito, valorização, participação, dignidade, passaram a fazer parte das políticas de desenvolvimento dos empregados. O executivo – líderes naturais e autênticos –, antes de pensar na qualidade dos produtos/serviços, dedicava-se ao desenvolvimento da qualidade do tratamento dado aos seus técnicos e funcionários. Assim sendo, o povo do Japão podia refletir qualidade em seus atos, uma vez que eram aceitos e valorizados como parceiros de um negócio.
A questão da valorização técnica, no Brasil, passou primeiro pela desmistificação de que as profissões de médico, engenheiro e advogado, eram as mais lucrativas e dotadas de mais status – apelo que até hoje influencia na orientação educacional da classe mais abastada. Logo depois, uma mudança nas leis básicas do ensino de primeiro e segundo graus tenta, com total insucesso, implementar a competência técnica dos jovens adolescentes. Falta madeira, falta instrumentos de laboratório, falta torno mecânico, falta impressoras off-set, enfim, não há infraestrutura para suportar uma formação técnica maciça – e lá se vai o projeto por água abaixo.
Uma tendência à generalização das soluções dadas às inquietudes e aos problemas brasileiros, fez com que – numa equivocada nivelação – os jovens de regiões localizadas à beira de rios não desenvolvessem os ofícios oferecidos na formação técnica, nem tampouco assimilassem os truques e artimanhas da pesca – um aprendizado mais adaptado à vida e à cultura local desses brasileirinhos.
Negligenciar as diferenças culturais e regionais, tem sido um frequente erro de foco cometido por políticos e homens de negócios em nosso país. Cavar poços artesianos (para apanhar água do lençol subterrâneo), deveria ser ensinado – principalmente nas regiões da seca – antes mesmo do início do processo de alfabetização. Água: conhecê-la e utilizá-la em prol do bem-estar da família, é mais urgente do que grafar corretamente o nome. Assim já dizia o poeta: Terra – planeta água.
Enquanto existir seca, existirá quem faça da água seu grande negócio; sem apresentar, contudo, soluções comerciais viáveis para neutralização dos problemas que a mesma traz — principalmente no que tange à pequena produção agrícola.
Temos, hoje, no Brasil uma grande quantidade de técnicos que não aplicam 10% de todo o seu conhecimento. Estamos falando de profissionais com pós-graduação, e muitos, até, com doutorado no exterior. Uma rápida olhada nas empresas estatais, nos bancos federais e estaduais, no militarismo, no funcionalismo estadual e federal, de uma maneira geral, constata-se que, apesar do contingente existente de bons técnicos, nada é feito em termos de criatividade aplicada à solução de nossas necessidades mais gritantes — que sem dúvida nenhuma estão ligadas, também, às atividades da pequena produção agrícola. Nesse particular temos que abrir uma exceção para os trabalhos de pesquisa, bem como de difusão de tecnologia, desenvolvidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O moderno gestor precisa, de imediato, facilitar o desenvolvimento das competências individuais dos técnicos sob seu comando visando à implementação de novas e inovadoras ideias. Nossos parlamentares precisam valorizar a competência técnica e acabar de vez com a descontinuidade administrativa. Sabemos que quando um dirigente de uma empresa (estadual ou federal), governador, prefeito e outros, se afastam, com eles vão junto – se é que os possuem – todos os projetos que poderiam dar um pouco mais de conforto e qualidade de vida a essa faminta e sofrida população brasileira – principalmente a rural.
Os técnicos têm competente formação, só falta boa vontade política de dar-lhes espaço para fazer desse lugar uma nação de competência técnica.
Estas questões precisam ser trazidas à tona para discussão na Câmara e no Congresso – através de projetos de lei e outros expedientes.
É gritante a necessidade da construção de modelos técnicos capazes de colocar nosso país o mais próximo possível da modernidade. Enviar o Brasil à Estação Espacial Internacional significa um avanço em termos de lobby internacional e um pesado investimento no nosso marketing institucional. Existe, entretanto, além testar alguns experimentos sob gravidade zero – por mais simplórios que possam parecer –, a necessidade do desenvolvimento de um aparato técnico capaz de garantir o desenvolvimento sustentável do Brasil. País este que precisa (com urgência) valorizar seus técnicos, depositando em suas mãos a competência técnica – passaporte da inovação geradora do progresso social.
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Osmira Fátima da Silva
15/03/2013 - 10:31
Caros José Carlos, editores e leitores, Parabéns pela excelente informação e, que se diga, honestamente, é de uma riqueza intelectual e profissional a toda prova! Se "a voz do povo é a voz de Deus", diríamos que a Embrapa é, no momento, a referência da informação agropecuária, principalmente, relacionada à pesquisa tropical e a "menina dos olhos" dos interesses econômicos dos países mais avançados do mundo!... Desta forma, busca-se interagir com o exterior, cuidando para não fazer parte de "lobbies", mas, deverasmente, para contribuir com o desenvolvimento sustentável no Planeta Terra, com o aumento da produção de alimentos, de forma segura e soberana, visando minimizar a fome da população carente existente nos "quatro cantos" do mundo. A expectativa, como brasileiros, é que os governos tenham, realmente, a visão de futuro, amparada em experiências de gestões e técnicas anteriormente exercidas com sucesso, para viabilizarem a inovação tecnológica, tão aclamada na atualidade, sem que comprometam o espírito da nacionalidade, que tão bem faz para o exercício da cidadania!
Muito obrigada,
Osmira.
Geise
18/03/2013 - 14:07
O texto está muito bom mas percebi durante a leitura que a equipe do site não o corrigiu antes de publicar, alguns erros como go-vernador e palavras repetidas são perceptíveis. É só uma dica pro site corrigir antes de publicar. Abraços
PAULO CESAR
11/06/2013 - 00:30
PREZADO SENHOR PROFESSOR, PERMITA-ME ABORBAR UM PEQUENO CONTRA PONTO, NO QUE SE REFERE, AO FATO DE USARMOS POUCO , OU SEJA 10% COMO DITO EM SEU TEXTO DAS COMPETENCIAS TECNICAS EXISTENTES NO PAÍS. ENTENDO COMPETENCIAS TECNICAS UM POUCO DESAGREGADAS DO ASPECTO EDUCACIONAL, SEMPRE ABORDAMOS FATORES EDUCACIONAIS QUE SÃO PRESUPOSTOS DE CONHECIMENTO COMO TECNICAS DE COMPETENCIAS, POREM DESENVOLVIMENTO DE COMPETENCIAS DEVEM E AO MEU VER SÃO PRESSUPOSTOS DE VIVENCIA INSTITUCIONAL OU MESMO DE VIVENCIA PESSOAL, OS FATORES DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL/ CONHECIMENTO NÃO SÃO AO MEU VER GARANTIA DE APLICABILIDADE DE COMPETENCIAS E RESULTADOS SOCIO EDUCACIONAIS OU INSTITUCIONAIS. UM TECNICO( ENTENDA-SE COM FORMAÇÃO SUPERIOR , POS, MESTRADO, DOUTORADO), NÃO É GARANTIA DE RESULTADO NEM TÃO POUCO DE COMPETENCIA SEM A VIVENCIA PESSOAL QUE LHE DE SUSTENTAÇÃO PARA IMPLEMENTAR REALIDADE E COMBINAÇÕES DE VIVENCIAS PARA EXECUTAR COM MAESTRIA SUS COMPETENCIA, PORTANTO PREZADO PROFESSOR EXEMPLIFICANDO, PODE UM PERITO TECNICO NO SEU CAMPO DE ATUAÇÃO (PSICOLOGIA,EMBORA COM GRANDE CONHECIMENTO TECNICO,PODE ABANDONAR SUA EQUIPE QUANDO MAIS ELA PRESISA DELE!!! O QUE COLOCARIA EM CHEQUE SUA COMPETENCIA EDUCACIONAL/CONHECIMENTO E FARIA EXPOR SUA INCOMPETENCIA TECNICA, POR FALTA DE VIVENCIAS ANTERIORES PROFISSIONAIS !!!!!
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