
A agropecuária brasileira vem sendo cada vez mais cobrada a produzir de forma sustentável. Isto em um cenário de custos de produção em elevação, investimentos crescentes em tecnologia, concorrência com produtores europeus e americanos subsidiados e com a constante demanda da sociedade pela produção de alimentos baratos.
Como pensar na sustentabilidade ambiental se é cada vez mais difícil manter a propriedade rural sustentável economicamente? A resposta passa, obrigatoriamente, pelo planejamento racional da propriedade rural e integração dos sistemas de produção. Talvez a suinocultura seja o melhor exemplo para ilustrar como uma atividade potencialmente poluidora pode se transformar em um fator de desenvolvimento de outras atividades agropecuárias, através da reciclagem dos dejetos gerados na produção de suínos como fertilizantes.
O mesmo dejeto que polui se lançado indiscriminadamente no ambiente, pode se tornar um fertilizante orgânico valioso para a produção de grãos ou forragem se corretamente manejado. Apesar de muito variável, em média, cada metro cúbico (1.000 litros) de dejeto de suínos tem cerca de 3,4 kg de nitrogênio, 2,9 kg de fósforo (P2O5) e 1,7 kg de potássio (K2O). Considerando os preços médios destes nutrientes obtidos a partir de fertilizantes minerais, um metro cúbico de dejeto teria um valor aproximado de R$ 21,00. Assim, uma propriedade suinícola de tamanho médio com 1.000 animais em terminação alojados produz por ano o equivalente a R$ 30.000,00 em fertilizante orgânico.
O passivo ambiental de uma atividade pode se tornar o insumo de outra! É por isto que a bovinocultura de leite vem crescendo no oeste de Santa Catarina, onde os dejetos da suinocultura são aproveitados para a produção de pasto em quantidade, qualidade e com baixo custo. A expansão da suinocultura no centro-oeste do Brasil também contribui com a redução dos custos de produção do milho, onde a fertirrigação com os dejetos de suínos substitui parcialmente os fertilizantes minerais que respondem por até 50% das despesas com insumos nesta cultura.
Assim, resolvemos dois problemas de uma só vez, dando destino adequado aos dejetos da suinocultura e abatendo custo de produção das atividades que se beneficiam com o uso deste fertilizante. Quando a propriedade rural é gerenciada de maneira integrada e os sistemas de produção são planejados de forma a se beneficiarem mutuamente, é possível produzir com sustentabilidade e lucro!
Artigo originalmente publicado em 18/9/2013
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alcindopastore@hotmail.com
29/09/2013 - 10:05
sustentabilidade e lucros! possível, mas muito complicada, quando se se tem muito olhar ao lucro e pouco a sustentabilidade.
conheço um pequeno produtor em área, (5 Ha) produzindo com um plantel de 3000 suínos, rodeado de grandes fazendas(350 Ha)produzindo somente grãos.
Como pensar que esse dejeto não será prejudicial? ou lançado de forma não ideal? esqueça que os fazendeiros vão ajudar ao pequeno a distribuir esterco, para não poluir.
observar a natureza ajuda a tornar o mundo mais sustentável e menos lucrativo, que seria o ideal. amontoados de suínos, toneladas de dejetos utilizados como fertilizante, imensas áreas de cereais com altas produtividades, isso gera aumento da exportação do País, mais divisas e grandes contratos comercias de carnes, ''uma beleza'' acaba com a fome do 1° mundo consumista.
Enquanto isso aqui, incentiva a dobrar o n° de suínos, que dobra o dejeto, que aumenta a poluição, que dobra a tecnologia,que aumenta em 80% a importação de minerais, que não produz o dobro, que não dobra a renda, que dobra a oferta, que divide o preço pela metade , que pode empobrecer a todo sistema.(o nome disso tudo é "ganância"). Caixão não tem gaveta. Por que temos que alimentar o mundo????? só precisamo produzir o necessário,pra que empobrecer nossos solos ricos e alimentar o mundo por um baixo valor!!! cada país que alimente os adeptos que vão votar nos seus governantes nas próximas eleições!!!!! Onde elas existem.
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