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     30/09/2020            
 
 
    

Periodicamente ocorre a publicação de informações dando conta da potencial ineficiência da aplicação aérea de defensivos. Misturando interpretações errôneas, distorções de conceitos ou puro desconhecimento técnico, artigos e reportagens afirmam categoricamente que a aplicação aérea é uma ferramenta extremamente ineficaz pelo fato de que “somente 1% do produto aplicado atinge o alvo. Os 99% restantes vão para o ar, água e solo”. Um dos casos clássicos desse tipo de desinformação ocorreu no ano passado, quando uma reportagem de jornal que tratava do uso de defensivos no Brasil envolveu professores e pesquisadores de universidades, os quais citavam essa “ineficiência” como justificativa para defender a proibição da aplicação aérea no país. O interessante dessa reportagem era a citação de uma cadeia de artigos científicos que comprovariam a hipótese, citando nomes de pesquisadores renomados a até uma tese de doutorado sobre o tema.

É certo que na comunidade acadêmica que de fato atua neste ramo, como os professores e pesquisadores da área de tecnologia de aplicação dos defensivos, por exemplo, esse tipo de mito não encontra respaldo. O princípio é básico: se de fato houvesse uma técnica com perdas de 99%, a mesma dificilmente seria eficaz no controle de pragas e doenças, e por isso nenhum agricultor se disporia a usá-la. Não é o que ocorre atualmente com a aviação agrícola, que é tratada como indispensável por diversos setores do agronegócio brasileiro.

Mas, fica a pergunta: como haveria então uma tese que comprovaria o mito? Uma busca rápida pelas bibliotecas científicas virtuais nos coloca rapidamente contato com a tal tese de doutorado. Na verdade, trata-se de um trabalho sobre química analítica que não aborda (nem de perto) as aplicações aéreas. Na introdução do trabalho, a autora apresenta a tradução literal de uma frase publicada em outro artigo, com a seguinte redação: “De fato, estima-se que apenas 0,1% do agrotóxico aplicado nas plantações atinja realmente o alvo definido...”. Portanto, não coube à autora da tese a afirmação. Ainda, enquanto a reportagem de jornal citava “somente 1%”, a frase da tese citada referencia “0,1 %”, o que reforça ainda mais a cadeia de desinformação.

Mas é possível buscar a informação original. O tal artigo citado na tese tratava o assunto igualmente como uma “citação da citação” (reprodução da opinião de terceiros), sem qualquer referência à aviação agrícola. E um pouco mais de busca nos fez encontrar finalmente a origem do mito, num artigo publicado na década de 1980. Neste artigo, professores de uma universidade americana opinavam de maneira crítica ao controle químico de pragas, e a tal citação do valor (“apenas 0,1%”) não tinha fundamentação científica. Portanto, não se tratava de pesquisa. Os autores apresentavam na verdade cálculos teóricos da quantidade de inseticida que uma determinada lagarta poderia comer, sem qualquer referência direta sobre a deriva nas aplicações. Portanto, o mito usado para combater a aviação agrícola foi originado de um artigo que nem sequer tratava do assunto.

Essa cadeia de “citações das citações” nos faz refletir sobre o uso equivocado da informação dita como “de base científica”. O fato de um pesquisador citar uma fonte não necessariamente torna a informação verdadeira. Muito menos a torna científica. É esse tipo de cuidado que devem ter os formadores de opinião, os legisladores e a imprensa em geral para evitar a propagação de mitos, cujo impacto pode ser muito prejudicial ao agronegócio e ao país como um todo.

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Engº Agrº Alvaro Rodrigues
24/09/2013 - 20:46
Realmente a aplicação aérea de agrotóxicos(Este é o termo correto)é altamente eficiente, pois apresenta altíssimo potencial de poluição, contaminação ambiental e de fontes hídricas. Deveria ser definitivamente proibida!

Engo Agro Decio Luiz Gazzoni
27/09/2013 - 15:58
Colega Álvaro, não entendi o comentário. A aplicação aérea de agrotóxicos é altamente eficiente ou é altamente poluente e perigosa? Uma afirmativa elimina a outra, portanto, qual a sua opinião sobre a aplicação aérea?

Gustavo Spadotti Amaral Castro
28/09/2013 - 12:11
É incrivel como existem formadores de opinião que baseiam seus relatos em equívocos (para não dizer armações) como este exemplo mencionado pelo Dr. Ulisses.

É complicado para a sociedade identificar estes novos "gênios", que conseguem barulho na mídia por influência, em detrimento ao conhecimento científico balizado em pesquisas.

Uma pena a ACHOLOGIA ganhar cada vez mais espaço na mídia, visto que o povão gosta mesmo é de tragédia.

Parabéns professor pela desconstrução de mais um mito.

Gustavo Castro
Embrapa Amapá

Engº Agrº e Ambientalista Álvaro Rodrigues
01/10/2013 - 20:08
Colega Décio, desculpe se não me fiz entender corretamente. Quero dizer que este tipo de aplicação é altamente e absurdamente poluente! Se lembra da pesquisa da UFMT sobre o leite materno contaminado em Mato Grosso? E da escola pulverizada em Goiás? Abaixo os agrotóxicos! Abaixo a "moderna" pulverização aérea! Abaixo os pesquisadores de órgãos públicos que são sustentados com salários oriundos dos nossos impostos e "trabalham" para as poderosas multinacionais que exploram e enganam os produtores rurais com os "pacotes" de agrotóxicos e sementes transgênicas! Busquem alternativas que promovam a vida! Ser Dr e PHD do veneno e da "receita de bolo" pronta é fácil!

Robinson Rolim Ressetti, Eng. Agr.
08/10/2013 - 09:10
Prezados,
Quanto ao tema em questão, sugiro a leitura dos artigos relacionados abaixo.
Att.,
Robinson

Pimentel, D.; Levitan, L. Pesticides: amounts applied and amounts reaching pests. BioScience, v.36, p.86-91, 1986.

Pimentel, D. Amounts of pesticides reaching target pests: environmental impacts and ethics. Journal of Agricultural and Environmental Ethics, v.08, n.01, p.17-29, 1995.

Pimentel, D.; Burgess, M. Small amounts of pesticides reaching target insects. Environment, Development and Sustainability, v.14, p.01-02, 2012.

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