
Nas ultimas décadas as cidades passaram por intensas mudanças estruturais. A influência da globalização evidencia as transformações técnicas no comércio e nos serviços, principalmente nos setores relacionados com a produção de alimentos e de lazer. As tecnologias modificaram a lógica microeconômica da cidade condenando ao passado a participação dos pequenos agricultores, principalmente aqueles que abasteciam a população de alimentos tradicionais do gênero hortifrutigranjeiros.
A presença dos agricultores nas feiras livres e nos mercados caiu vertiginosamente. Estes fatos colaboram para aumentar o risco da perda da soberania alimentar e das raízes culturais ligadas à agricultura das cidades. A soberania alimentar é o direito que a população tem de definir suas próprias políticas e estratégias de produção, distribuição e consumo de alimentos.
A soberania alimentar garante o direito à alimentação, respeitando as múltiplas características culturais da população. Ao poder político local cabe à tomada de decisão sobre fixação de prioridades que em ultima instancia definirão o legado da contribuição dos pequenos agricultores tradicionais a cultura e a qualidade de vida da cidade. No cenário atual, se nada for feito, a diversidade de plantas, de animais, da culinária, dos remédios caseiros e das manifestações culturais relacionadas com a agricultura será condenada a compor a historia da cidade.
Sempre é bom lembrar que os sistemas agrícolas tradicionais são adaptados ao clima local, utilizam poucas terras, protegem o solo, os mananciais e utilizam menos ou quase nenhum produto químico. Tradicionalmente os agricultores familiares protegem a biodiversidade, produzem alimentos nutritivos e saudáveis e mantém a felicidade e alegria de degustar e comer produtos caseiros. É amargo constatar que a tecnologia moderna está “desenvolvendo” uma agricultura familiar de forma totalmente equivocada, dificultando a difusão e reconhecimento da “arte de agricultar”.
Com a desvalorização dos saberes tradicionais ocorre um impedimento nos caminhos para a preservação da soberania alimentar que a cidade tinha e deve sempre ter. Uma cidade soberana produz e comercializa comida localmente, vinculando à cultura e ao modo de vida da sua população. Na busca de exercer sua soberania a cidade preserva sua cultura com raízes na agricultura diversificada e se afasta da monocultura; incentiva uma produção limpa produzindo saúde, felicidade e equilíbrio ambiental.
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