
A necessidade crescente do aumento da produção de alimentos, fibras e energia apresenta como alternativa, a intensificação da agricultura e o aumento da produtividade. Isto exige o desenvolvimento constante de inovações.
Para atender às exigências do mercado consumidor, melhorar a eficiência do processo de produção agrícola e assegurar a sustentabilidade das diversas cadeias produtivas, faz-se necessário tratar adequadamente todos os fatores de produção.
Um dos graves problemas da agricultura é a erosão que, além de empobrecer o solo, polui os cursos de água, danifica estradas, dentre outros danos à sociedade. A erosão é uma das mais graves consequências de uma agricultura que não se sustenta.
Este era um problema que parecia estar resolvido depois de muitos esforços por parte daqueles envolvidos com a produção agrícola no Brasil. No entanto, o problema volta de forma muito intensa, em função de conceitos totalmente equivocados que estão sendo formados e disseminados.
Com a adoção do Sistema Plantio Direto (SPD), mais a utilização de outras práticas conservacionistas, a erosão em áreas agrícolas é mínima. No entanto, em nome da melhoria da produtividade, independente das condições topográficas e do tamanho das propriedades, muitos produtores estão comprando máquinas agrícolas cujo tamanho não é adequado. Para adequar a área ao tamanho das máquinas, a primeira atitude após a compra das máquinas, é eliminar os terraços, sem qualquer critério na maioria das vezes. A partir desse momento, inicia-se o processo erosivo. Adequar as práticas agrícolas ao tamanho das máquinas é um equívoco, o correto é o contrário, ou seja, as máquinas se adequarem às práticas agrícolas.
É muito comum, após a colheita do milho segunda safra, durante os meses de agosto e setembro, os produtores “passarem” a grade na área anteriormente cultivada com milho. Muitos passam a grade mais de uma vez, não sei para que finalidade.
A grade, além de contribuir para a degradação da parte física do solo, contribui de forma espetacular para a decomposição dos restos culturais do milho. Pois ao triturá-los, o processo de decomposição é acelerado. Quanto menor o tamanho do resto cultural, mais rápida é a sua decomposição. Fazendo dessa forma, o produtor está reduzindo o potencial produtivo do solo, acelerando a degradação da matéria orgânica, favorecendo o processo de erosão, aumentando a emissão de gases de efeito estufa e os custos de produção. Mas mesmo assim, muitos ainda utilizam a grade em suas áreas de produção agrícola. Por que será?...
Em áreas com pouca cobertura de palha, determinadas espécies de plantas daninhas, como é o caso da buva, pode se tornar um problema. Mas este problema não deve ser resolvido passando grades sobre os restos culturais do milho. É preciso melhorar o aporte de palha no sistema, de maneira assegurar uma boa cobertura da superfície do solo. Uma das estratégias para melhorar o controle de plantas daninhas, é o consórcio de milho com braquiária, prática já bastante difundida.
A utilização do consórcio de milho com braquiária proporciona melhoria dos atributos químicos, físicos e biológicos do solo, além de auxiliar no controle de algumas espécies de nematoides e no controle de plantas daninhas, inclusive daquelas de difícil controle, como é o caso da buva. Assim, com uma boa cobertura de palha, não será necessária a utilização de grades para o controle desta espécie de planta daninha, que já se tornou resistente a alguns herbicidas.
Com este artigo, queremos mostrar que é possível fazer uma agricultura em bases sustentáveis, no entanto, para isso é necessário mudança de postura.
Melhorar a eficiência do processo produtivo é uma necessidade imperiosa quando a margem por unidade produzida é cada vez menor. Desta forma, aquele que conseguir produzir uma tonelada ou um saco de soja, ou de milho ou de feijão, dentro de uma determinada área, com menor custo, será mais eficiente e, por conseguinte, terá maiores oportunidades para continuar produzindo.
Uma agricultura sustentável nas dimensões ambiental, econômica e social deve ser feita com a utilização de práticas que, no mínimo, mantenha a capacidade produtiva do solo. Triturando os restos culturais que estão na superfície do solo e perturbando o solo com a utilização de grades, não teremos uma agricultura sustentável.
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