
As precipitações na Região Sudeste vem diminuindo desde 2011 e a Bacia do PCJ (Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) é uma das mais críticas Q7,10 (Vazão mínima por 7 dias e tempo de retorno de 10 anos) está em 96% desde 2012. A Bacia do PCJ abriga mais de um milhão e meio de pessoas e é responsável por 5% do PIB brasileiro e 14,6% do PIB paulista. É uma Bacia de uso predominantemente industrial pois esse setor consome mais da metade da energia na Bacia (veja quadro). Normalmente, nos países em desenvolvimento, o uso agrícola da água chega a 60%, o PCJ comporta-se como uma Bacia de países desenvolvidos.

Houve racionamento de água em muitas cidades dessa Bacia, entre elas Itu, Campinas e Piracicaba. Além disso, só é tratado 42% do esgoto e as perdas chegam a 41%. A população precisa se conscientizar que é imprescindível racionalizar o uso da água. O setor industrial relata que vem fazendo isso há mais de 3 anos e chega a economizar 1100 m3/mês (40% do consumo), o que equivale a R$ 20000,00/mês, além de economizar energia. Chegou a hora dos demais usuários fazerem sua parte, tanto no uso residencial como no estabelecimento de manejos adequados para a conservação da água.

A qualidade da água está intimamente relacionada com a declividade, tipo de solo (geologia) e principalmente com a cobertura vegetal e uso da terra. Deste modo, a Embrapa Meio Ambiente e instituições parceiras, por meio dos Projetos AgroHidro e BACAJA vem estudando e acompanhando os efeitos da cobertura vegetal e uso da terra na qualidade e quantidade de água em parte dessa Bacia Hidrográfica, as bacias dos rios Camanducaia e Jaguari. Há predominância de cana-de-açúcar (36,6%) e pastagem (39,06%) nas atividades agrícolas. Mas há também reflorestamento (principalmente com Eucalyptus saligna), hortaliças (brócolis, tomate, batata, inhame, entre outros). Qual é o efeito destas coberturas na qualidade e quantidade de água? Esta é uma pergunta que interessa a todos e existem diversas instituições estudando o problema, inclusive a Embrapa Meio Ambiente.

Existem estudos no mundo e no Brasil (EUA, Canada, Austrália, Nova Zelândia) mostrando que a floresta protege, purifica e conserva a água. Por isso é interessante qualificar e quantificar os benefícios do uso adequado das terras nas atividades agrícolas para uma possível remuneração dos proprietários dessas terras, como é feito hoje em Extrema, MG, um dos municípios monitorado pelos projetos. Para ilustrar, no último monitoramento (3 a 5 de dezembro de 2014) foram amostrados 14 locais entre regiões de cabeceira e rios principais. Como exemplo, o rio Jaguari, no ponto logo após a saída da Represa do Cantareira apresentou 7,21 mg.L-1 de Oxigênio Dissolvido e condutividade elétrica de 31,3 µS.cm-1 (Fotos 2 e 3) em um dia chuvoso, condição que pode favorecer o primeiro valor elevando-o e diminuir o segundo pelo efeito da diluição. Esses valores podem ser considerados bons, entretanto, outros parâmetros devem ser analisados em conjunto após o monitoramento de pelo menos um ano para que seja possível avaliar o efeito do uso e cobertura das terras na qualidade e quantidade de água nas bacias dos rios Camanducaia e Jaguari, objetos de estudo dos projetos citados.
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