dia de campo

a
Esqueceu a senha?
Quero me cadastrar
     31/03/2026            
 
 
    

“Brasil, país continental”. Esta frase, sempre repetida por nós, traz um misto de orgulho e perplexidade diante da dimensão, diversidade e complexidade do imenso território brasileiro. Além da diversidade étnica de mais de 202 milhões de habitantes, o Brasil é feito de múltiplos recortes: seis biomas, cinco regiões, 27 estados, dezenas de metrópoles e 5.570 municípios que se espalham pela imensidão de 8.514.876 km².

O nosso país é isso: grande, complexo, plural. E as maneiras como dividimos e caracterizamos o nosso território nunca bastam. Biomas e outros recortes geográficos são úteis. Nos ajudam a transformar espaços complexos em partes mais compreensíveis e manejáveis. Ainda assim, essas divisões são limitantes para o planejamento de um país continental, inserido em contextos cada vez mais dinâmicos e desafiadores.

Divisões sedimentadas no imaginário dos brasileiros, como “Região Norte”, “Amazônia Legal”, “Semiárido” e outras, ocultam muitas realidades complexas e dificultam o entendimento da diversidade, interações, desafios e possibilidades nesses espaços imensos. Aplicada ao planejamento e à gestão, tal simplificação inibe compreensão e intervenções mais sofisticadas, necessárias para o desenvolvimento sustentável.

A difícil e necessária discussão que levou à aprovação do Código Florestal revelou um grande passivo de entendimento sobre a complexidade do território brasileiro. E evidenciou nossa dificuldade em alinhar domínios formais, representados por biomas, regiões, estados e municípios, com funcionalidades contidas em seus componentes, como relevo, geologia, hidrologia, clima, solos, florestas, agricultura, pecuária e agroindústrias.

A Amazônia é conhecida e cantada em prosa e verso como espaço homogêneo de floresta tropical. É um extremo de caracterização simplista, que impregnou o imaginário de todos. O Nordeste brasileiro, em função da visibilidade e desafios do Semiárido, padece do mesmo mal. Mas a Amazônia e o Nordeste são sínteses que englobam muitas realidades, de complexos quadros naturais, agrários, agrícolas e demográficos. O desenvolvimento sustentável de ambos demanda planejamento e intervenções que reconheçam tal complexidade.

Caracterizações simplistas de sistemas complexos decorrem, muitas vezes, da falta de base sólida de conhecimentos. Para a Amazônia e o Nordeste brasileiros já acumulamos imenso acervo de dados, distribuídos em diferentes universidades, órgãos de pesquisa e agências de governo. Mas ainda carecemos de sistemas de inteligência estratégica capazes de reunir e ordenar esses dados, gerando informações e conhecimentos que orientem o planejamento dessas muitas “Amazônias” e “Nordestes”.

A Embrapa realiza, neste momento, um grande projeto nesta direção. Trata-se de esforço de inteligência territorial estratégica para uma região sem divisão formal, geográfica ou política, na confluência dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Este território, denominado Matopiba, reúne 337 municípios e uma área total de 73 milhões de hectares. Um espaço do Brasil que chama a atenção pelo dinamismo, funcionalidades e potencial econômico.

Sua crescente produção agropecuária se dá em condições complexas, de transição entre os biomas Cerrado e Semiárido. Nessa região, a expansão das atividades econômicas, da infraestrutura e das cidades precisará acontecer de forma planejada, a partir de políticas públicas orientadas por sólido conhecimento científico.

A Embrapa realizou detalhada busca e organização de informações do quadro natural, agrário, agrícola, socieconômico e de infraestrutura do Matopiba. Ordenados, interpretados e continuamente atualizados, esses vários estratos de informação auxiliarão a composição de uma agenda de pesquisa e inovação, além de políticas e estímulos que levem ao desenvolvimento equilibrado e ao bom aproveitamento das funcionalidades desse território.

O conceito de inteligência territorial estratégica tem o poder de nos mover para além da generalidade de classificações que subestimam realidades complexas e multifacetadas. A aplicação desse conceito está nos permitindo descobrir quantas e quão complexas são as realidades do Matopiba. E, com isso, definir estratégias e intervenções coerentes com a diversidade, os desafios e as possibilidades ali presentes.

Aplicado ao conhecimento das nossas “Amazônias” e “Nordestes”, o conceito de inteligência territorial estratégica poderá permitir que esses territórios alcancem um modelo de desenvolvimento mais sofisticado, fundado nas três dimensões da sustentabilidade – a social, a ambiental e a econômica.

Aviso Legal
Para fins comerciais e/ou profissionais, em sendo citados os devidos créditos de autoria do material e do Jornal Dia de Campo como fonte original, com remissão para o site do veículo: www.diadecampo.com.br, não há objeção à reprodução total ou parcial de nossos conteúdos em qualquer tipo de mídia. A não observância integral desses critérios, todavia, implica na violação de direitos autorais, conforme Lei Nº 9610, de 19 de fevereiro de 1998, incorrendo em danos morais aos autores.
Ainda não existem comentários para esta matéria.
Para comentar
esta matéria
clique aqui
sem comentários

Conteúdos Relacionados à: Produção
Palavras-chave

 
11/03/2019
Expodireto Cotrijal 2019
Não-Me-Toque - RS
08/04/2019
Tecnoshow Comigo 2019
Rio Verde - GO
09/04/2019
Simpósio Nacional da Agricultura Digital
Piracicaba - SP
29/04/2019
Agrishow 2019
Ribeirão Preto - SP
14/05/2019
AgroBrasília - Feira Internacional dos Cerrados
Brasília - DF
15/05/2019
Expocafé 2019
Três Pontas - MG
16/07/2019
Minas Láctea 2019
Juiz de Fora


 
 
Palavra-chave
Busca Avançada