
O atraso na época de semeadura aumenta a probabilidade de frustração de rendimento do milho safrinha. Semeaduras tardias, situadas dentro da primeira quinzena de março, são consideradas de alto risco na região Centro-Oeste, pois a probabilidade de ocorrer limitação hídrica se torna elevada. Diante disso, os produtores que insistem em semear milho safrinha em épocas consideradas tardias reduzem os níveis de investimentos. Além disso, espera-se que os produtores optem pelo semeio do sorgo e/ou milheto. Tal opção é devida a estas culturas apresentarem maior estabilidade de produção em condições de deficiência hídrica temporária e menor custo de produção. Há baixa opção de herbicidas registrados para sorgo. Isso faz com que a utilização do atrazina tenha que ser eficiente.
O deslocamento da janela de semeio proporcionará, certamente, diferente cenário ao produtor quanto ao manejo e a tratos culturais. Em relação ao manejo das plantas daninhas para milho e sorgo, este tem sido realizado majoritariamente com a aplicação da atrazina, e isto pode ser explicado em razão do seu baixo custo, sua alta seletividade e a sua flexibilidade de aplicação (pré e/ou pós-emergência). Aspecto importante será a observação da época do manejo das gramíneas que geralmente germinam tardiamente em relação às dicotiledôneas neste período. Na situação descrita, recomenda-se aplicação de atrazina na modalidade pós-precoce inicial das plantas daninhas, desde que as condições climáticas sejam favoráveis. Ocorrendo novamente um fluxo de emergência das plantas daninhas, uma segunda aplicação de atrazina poderá ocorrer entre 15 e 20 dias após a primeira aplicação.
As áreas produtoras de safrinha, tanto de milho quanto de sorgo, estão caracterizadas por aumento das populações de gramíneas infestantes. Situação semelhante ocorreu quando da ampla utilização da formulação de 2,4-D aplicado tanto no milho quanto no sorgo. A condição de aplicação dos herbicidas, geralmente tardia nesta situação, pode ter favorecido aumento da população das plantas daninhas gramíneas.
Por causa disso, a condição que deverá ser evitada diz respeito às aplicações tardias da atrazina, ou seja, quando as gramíneas infestantes estiverem perfilhando. Deve-se evitar aplicação no momento inadequado em razão da baixa eficiência deste herbicida no controle de algumas espécies, especialmente de gramíneas. De fato, maior controle das gramíneas ocorrerá na aplicação deste herbicida na condição pós-precoce, ou seja, plantas com 1 a 3 folhas. Salienta-se que os fabricantes de algumas marcas comerciais não recomendam a aplicação dos produtos em áreas com altas infestações de gramíneas como capim-colchão (Digitaria horizontalis) e capim-carrapicho (Cenchrus echinatus), tanto em pré quanto em pós-emergência. Ocorrendo atrasos no semeio, o produtor poderá aplicar glifosato em associação com 2,4-D ou atrazina na condição aplique-plante possibilitando manejo adequado das plantas daninhas.
No mercado há oferta de formulações com variações na concentração de atrazina. Ademais, deve-se observar a recomendação do fabricante quanto à adição de óleo vegetal, óleo mineral ou espalhante adesivo que ocorre para todas as formulações de atrazina na pós-emergência.
Deve-se atentar para a possibilidade de aplicação da atrazina na pré-emergência. Nesta modalidade de aplicação o solo deve estar úmido. Para aplicação em pós-emergência deve-se evitar dias quentes, condições de baixa umidade relativa do ar e ventos fortes. A utilização do equipamento de proteção individual deverá ocorrer desde o manuseio do produto puro e durante o preparo da calda até a aplicação no campo, inclusive durante a lavagem do pulverizador.
Nas áreas de safrinha com milho, o controle das infestantes poderá ser realizado com glifosato, quando a opção for milho RR e não houver espécies resistentes ao glifosato, como a buva (Conyza spp.), capim-amargoso (Digitaria insularis), capim-branco (Chloris elata), azevém (Lolium perenne ssp. multiflorum) e/ou as de difícil controle, como trapoeraba (Commelina benghalensis L.), corda-de-viola (Ipomoea spp.), erva-quente (Spermacoce latifolia), erva-de-touro (Tridax procumbens L.), poaia-branca (Richardia brasiliensis), agriãozinho (Synedrellopsis grisebachii). Plantas voluntárias de soja RR são também comumente encontradas em alta densidade nas áreas de safrinha. Em razão da necessidade de controle da tiguera de soja no milho, a aplicação do glifosato tem sido realizada com atrazina. Em áreas com espécies de difícil controle, especificamente de gramíneas infestantes, aplicação do glifosato no milho RR pode ocorrer em associação com outros herbicidas além da atrazina, como mesotrione, tembotrione, nicosulfuron, por exemplo. Para a opção de semeio do milho convencional nas áreas com espécies de difícil controle ou com espécies resistentes recomenda-se a aplicação de herbicidas em associação, como: atrazina e mesotrione; atrazina e tembotrione; atrazina e nicossulfuron; atrazina e glifosato.
Importante observar que, nas situações descritas, a escolha dos produtos é função das populações de plantas daninhas, muitas vezes resultante do manejo adotado anteriormente. Para tanto, o técnico deverá ter conhecimento da área para recomendação adequada dos herbicidas.
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