
A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2015 como o Ano Internacional dos Solos. É de fundamental importância que a sociedade desperte para a necessidade do manejo sustentável do solo. Desde os primórdios, técnicas foram desenvolvidas buscando conservar esse recurso natural indispensável para a vida humana, como diversificação de cultivos, sistemas de plantio conservacionistas (plantio direto, sistemas integrados, rotação de cultura), adequação da fertilidade química, física e biológica para diferentes sistemas. Hoje temos disponível várias técnicas para manejar o solo, para que ele tenha qualidade e, com isso, forneça a humanidade alimentos saudáveis.
No Brasil, 65 a 70% dos solos cultivados apresentam bons índices de produtividade e conservação. Entretanto, em torno de 30 a 35% dos solos incorporados ao sistema produtivo ainda apresentam baixa produtividade, isso certamente nos leva a observar algumas áreas degradadas ou em processo de degradação. Certamente, o modo com que o Brasil se relaciona com os seus solos tem muito a ser aprimorado utilizando o conhecimento existente, mas o que observamos aqui é semelhante ao que ocorre no mundo, onde a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que 33% dos solos do planeta estão degradados ou em processo de degradação.
Um dos problemas que respondem pela maior parte dos 90 milhões de hectares degradados ou em processo de degradação no Brasil são as pastagens (60 a 70%), que são manejadas de forma inadequada, em especial nos aspectos de nutrição das forrageiras e manejo animal. A produção de grãos de determinadas culturas também apresenta baixa produtividade por conta dos aspectos nutricionais e do manejo do solo (cerca de 25 a 30%). É importante observar, no entanto, que todos esses problemas poderiam ser evitados, já que os produtores podem contar com técnicas corretas a serem utilizadas em nossa agricultura. E se, porventura, para algum problema ainda não tivermos solução, certamente temos condições de desenvolvê-la, para isso existem as Universidades, a Embrapa e outros órgãos de pesquisa no Brasil.
Se a tecnologia já disponível fosse utilizada de forma adequada seria possível aumentar a qualidade dos solos do país, o que resultaria em ganho de produtividade de grãos de até 50%. Já na pecuária há possibilidade de no mínimo esse número dobrar. Mas ainda há coisas a se fazer, em especial àquelas relacionadas a sistemas conservacionistas como o sistema de plantio direto e o desenvolvimento dos sistemas integrados, como o agro-silvo-pastoril. Outra área de grande importância seria a fixação biológica do nitrogênio em gramíneas como o milho, trigo e cana-de-açúcar, para que num futuro próximo possamos cultivar essas culturas sem adição de fertilizantes nitrogenados, a exemplo do que é feito hoje com as leguminosas como a soja e feijão, dentre outras.
Na pecuária é a adequação da fertilidade química do solo, com aplicação de corretivos e fertilizantes, implicando em melhora das condições nutricionais e produtividade das forrageiras, que, associados ao manejo animal, aumentam a produtividade de carne e leite. Todas essas práticas que melhoram a produtividade de grãos, de carne, de leite, certamente melhoram a qualidade do solo, pois aumenta a disponibilidade de restos de material vegetal, o que leva a maior atividade dos micro-organismos e aumento no teor de matéria orgânica, um importante fator de qualidade do solo.
É importante atentar para o fato de que não é possível aumentar a produtividade no campo sem o devido avanço de técnicas de manejo do solo e que, por sua vez, devem acompanhar o avanço do melhoramento genético. Em alguns casos, a demanda do melhoramento genético veio da necessidade de darmos sustentabilidade aos sistemas de cultivo, como por exemplo, o sistema muito difundido na região do Cerrado que é de soja precoce e milho safrinha. Foi necessário um trabalho de redução do ciclo da soja que era entre 135 a 150 dias para 105 dias, como também híbridos de milho com menor ciclo e tolerância ao estresse hídrico. Além disso, foram necessárias também alterações nas técnicas de adubação, alterações nas plantadeiras, adubadoras, etc. Em suma, é necessário avanço em várias frentes para se alcançar sistemas de cultivos sustentáveis, ou seja, mais produtivos e com maior eficiência de uso dos recursos naturais, dentre esses o solo.
Para a pesquisa agropecuária, o maior desafio dos dias de hoje seria termos uma agricultura de baixa emissão de carbono. Ou seja, uma agricultura que ajude a reduzir o problema do aquecimento global do planeta. Para isso, o solo poderá ser utilizado como armazenador dos gases que causam esse aquecimento, gerando vida no solo e melhoria no armazenamento e purificação da água. Resumindo, o maior desafio será conquistar a harmonia entre o desenvolvimento do homem e do solo, componentes da natureza.
|