
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) pode ser definido como a seleção inteligente e o uso das ações para o controle de pragas que irá assegurar consequências favoráveis, econômica, ecológica e socialmente aceitas. Neste contexto, insere-se o conceito de praga que é o inseto que causa dano e redução da produção final, causando prejuízo econômico. Um fator importante é que nem todo dano causado por inseto na planta é intolerável, podendo a planta se recuperar e produzir normalmente.
Uma das bases do MIP é o monitoramento de insetos que ocorrem na cultura, definindo o que é praga primária e secundária, e o que é inimigo natural, frequência de ocorrência e época do ano. Este reconhecimento é fundamental para a tomada de decisão do que aplicar e quando aplicar. O monitoramento pode ser feito para todos os insetos durante a cultura do milho, desde os insetos que atacam na fase inicial até a espiga de milho. O número de amostragens depende do tamanho da área e do custo. Contudo existem estádios da lavoura mais críticos no que se refere ao ataque de pragas, nos quais essas devem ser vistoriadas.
Outra estratégia do MIP é o tratamento de sementes visando o controle de pragas subterrâneas e pragas iniciais da cultura do milho, principalmente nas áreas que apresentam um histórico de ataque destas pragas. Também é importante usar inseticidas químicos seletivos a inimigos naturais. Inseticidas químicos com amplo espectro de ação eram usados, o que ocasionou danos como a morte indiscriminada de inimigos naturais, surgimento de insetos resistentes e explosão de pragas secundárias. Hoje recomendam-se inseticidas fisiológicos, que atuam somente sobre a fisiologia do inseto, bem como aplicação com jato dirigido para o cartucho da planta, no caso da lagarta-do-cartucho-do-milho.
Houve evolução e disponibilização de novas tecnologias no mercado, como os transgênicos denominados milhos Bt (Bacillus thuringiensis) e o controle biológico. Elas são peças-chaves no controle de pragas. Dentre os fatores que contribuem para a queda no rendimento e produção de grãos na cultura do milho, as pragas ocupam lugar de destaque. Estes insetos causam perdas desde a fase inicial da cultura, podendo reduzir drasticamente o stand de plantas, reduzindo a densidade de sementes logo após a semeadura, e causam danos durante toda a fase vegetativa e reprodutiva. Há também importantes insetos-praga de grãos armazenados e em todos os seus derivados. No Brasil, a alta incidência de pragas pode estar relacionada com o cultivo contínuo em nossas condições tropicais, principalmente pelo plantio do milho safrinha, que é o milho plantado em janeiro/fevereiro ou março, dependendo da região do País. E há regiões, como o Oeste da Bahia, onde não há intervalo entre os diversos plantios, facilitando a migração de pragas de uma cultura para outra. Deste modo há sempre uma oferta de alimento para os insetos-pragas durante todo o ano. Desse modo, insetos tendem a atacar indiscriminadamente várias culturas que estão no campo.
Há vários modos de classificar as pragas de milho, como pragas-chaves e secundárias, dependendo da importância do dano que causam na cultura. Mas, em razão da importância relativa de determinadas pragas em determinadas regiões, serão destacadas pragas de importância econômica e/ou de maior ocorrência na cultura do milho.
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