
A escassez de pastagens em algumas regiões principalmente na região Sudeste e Centro-Oeste, é um dos grandes limitantes para vários produtores de leite que tem seu sistema de produção, a pastagem como fonte exclusiva de volumoso. O período que se estende de abril a setembro é por muitos conhecido como “estação seca do ano”.
Durante esse período, forrageiras tropicais na sua grande maioria são afetadas pelo baixo índice pluviométrico e menor quantidade de incidência solar ocasionando uma menor oferta de matéria seca (MS) disponível para os animais, e rebanhos que não tem outra fonte de volumoso, terá menor consumo de MS e conseqüentemente uma queda na produção de leite. Qual a saída? Tem como lidar com isso? O que fazer?
Primeiramente vamos pensar que existe saída sim e que cada ano que passa os produtores de leite passam a sonhar com a tal chegada da “estação seca do ano”. A primeira impressão você poderia estar pensando, “isso é loucura”, porém é durante essa época que temos alguns fatores favoráveis para termos uma boa rentabilidade em nossa atividade leiteira. Mas antes de citar estes pontos a favor vamos deixar bem claro que o primeiro limitante é termos alguma fonte de volumoso em quantidade suficiente para os animais. Durante esse período trabalhamos com melhor preço de leite, fontes de concentrados com menor preço, melhor ambiência, quero dizer, não temos presença de lama, moscas e a influência negativa do stress térmico sobre os animais é bem menor. Esses pontos citados nos possibilitam maximização do potencial de produção de cada animal e maior média por vaca, conseqüentemente maior rentabilidade. Técnicos e produtores devem atentar-se e buscar alternativas viáveis para manter a produção de leite neste período.
Dentre as estratégias alimentares para o período da seca, a utilização de cana-de-açúcar forrageira é a alternativa mais comumente utilizada entre os pequenos produtores, diante do baixo custo de implantação e da alta produtividade por hectare que pode variar de 80 a 150 ton/ha (Balieiro Neto et al., 2007), além de possuir elevado teor de sacarose, que é um carboidrato de alta digestibilidade. Esta fonte de volumoso poderá ser fornecida na forma ensilada ou in natura, é facilmente possível chegarmos a médias de produção acima de 20 litros/vaca/dia utilizando cana-de-açúcar como fonte de volumoso (Siécola Junior, 2011). Um fator limitante para a utilização desta estratégia alimentar seria a demanda em mão de obra para processar a cana diariamente.
Outra alternativa para os produtores de leite seriam as forragens conservadas, como silagem de milho e sorgo. Essas duas culturas são as mais utilizadas para ensilagem, devido à facilidade de cultivo, elevados rendimentos, boa aceitabilidade e principalmente pela qualidade do material ensilado, tendo o amido como fonte de carboidrato. Silagem de milho ou sorgo, apesar da superioridade da primeira em alcançar maiores produções de leite, ambas se destacam como as melhores opções para maximizar a produção de leite. No entanto, o processo de ensilagem envolve mecanização total, dependência de fatores climáticos para uma boa produção, maior investimento para plantar, sendo assim, pode apresentar um custo de produção mais elevado.
Por último, a implantação de um sistema com pastagem irrigada seria outra opção, possibilitando melhoria na qualidade da forragem e um aumento significativo na produção de MS por área e na taxa de lotação (UA/ha) durante este período. Para a implantação dessa alternativa, o produtor deve entender as mudanças necessárias na rotina diária de sua propriedade, especialmente em relação ao manejo da pastagem e do uso racional da água. Dentre os gêneros de forrageiras tropicais os Panicuns e Cynodons são boas opções, porém consultar um profissional habilitado para a escolha da melhor cultivar torna-se necessário e justificável. Para se atingir a máxima produtividade e qualidade da pastagem irrigada é fundamental uma boa correção, adubação e preparo do solo. Um fator que poderia limitar essa tecnologia seria a alta demanda de água para irrigar a pastagem.
Para o produtor de leite escolher a melhor alternativa, o planejamento anual do sistema produtivo é fundamental. Primeiramente, recomenda-se analisar qual estratégia é a mais viável, tendo uma previsão da quantidade de alimento que será necessário para alimentar seu rebanho durante a estiagem e a área que tem disponível para implantar a cultura forrageira desejada. Vale ressaltar que nenhuma estratégia adotada descarta a utilização de uma fonte de concentrado e suplementação mineral para os animais.
BALIEIRO NETO, G.; SIQUEIRA, G.R.; REIS, R. A.; NOGUEIRA, J. R.; ROTH, M.T.P.; ROTH, A. P. P. Óxido de cálcio como aditivo na ensilagem de cana-de-açúcar. Revista brasileira de zootecnia, ., v.36, n.5, p.1231-1239, 2007.
SIÉCOLA JÚNIOR, S. Proporção de colmos de cana-de-açúcar e desempenho de novilhas e vacas leiteiras. Dissertação de Mestrado, Lavras - UFLA, 2011.
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