dia de campo

a
Esqueceu a senha?
Quero me cadastrar
     18/09/2020            
 
 
    
 
 
Observa-se atualmente aumento no consumo de água pelas grandes cidades e indústrias. Na região Sudeste do Brasil, a crise de abastecimento de água tem imposto o racionamento para milhares de pessoas. Tendo em vista que o setor agropecuário utiliza 70% dos recursos hídricos disponíveis no país, faz-se necessário adotar medidas que viabilizem o uso racional desse recurso indispensável para a manutenção da vida na Terra.
 
No MATOPIBA, que é a nova fronteira agrícola do País, há uma grande oferta hídrica na estação chuvosa, seguida por um período de seca que chega a durar 150 dias. Portanto, aprendendo com os erros cometidos em outras regiões e aplicando tecnologias para a conservação, correto manejo e uso eficiente dos recursos hídricos, é possível evitar crises de abastecimento e os conflitos decorrentes dessa condição.
 
Pensando em recursos hídricos no MATOPIBA, a Bacia do Rio Tocantins ocupa 43% da área, seguida da Bacia do Atlântico – trecho Norte/Nordeste, com 40%, e da Bacia do Rio São Francisco, com 17%. Existem rios de significativa importância, como os rios Araguaia, Tocantins, São Francisco, Parnaíba, Itapicuru, Mearim, Gurupi e Pindaré (Magalhães & Miranda, 2014).
 
Segundo a Secretaria Nacional de Irrigação, do Ministério da Integração Nacional, o Tocantins é o estado que conta com a maior quantidade de solos aptos para desenvolvimento da agricultura irrigada: mais de 4 milhões de hectares. Porém, nem 10% desse potencial para irrigação é utilizado.
 
O uso da água na agropecuária é feito por meio da irrigação e da dessedentação animal, que estão entre os usos consuntivos previstos pela legislação. Existem novas formas de cultivo que utilizam menos água e de forma mais eficiente, mas também existem formas e tecnologias mais antigas, em que o problema é a sua adoção. Pode-se dividir as tecnologias em dois eixos: as que economizam água; e as que favorecem a sua infiltração no solo.
 
Tecnologias que economizam água
Neste caso, utiliza-se menos água para a produção de alimentos aumentando a eficiência de uso da água (EUA). Pode-se considerar essa forma como “orientada pela tecnologia”, porque o seu desenvolvimento acontece pelo avanço da pesquisa.
 
Na produção de sequeiro, são utilizadas plantas mais tolerantes ao estresse hídrico, numa abordagem baseada no melhoramento de plantas e na biotecnologia (incluindo organismos geneticamente modificados – OGMs). Diante das mudanças climáticas globais e da competição pelos recursos naturais solo e água cada vez mais acirrada, essas técnicas têm se desenvolvido rapidamente.
 
Outra maneira de economizar água é por meio da sua reutilização para atividades que não exijam potabilidade. Em áreas urbanas e industriais, a adoção dessas medidas vem aumentando nos últimos anos. As atividades agropecuárias também podem estabelecer o uso mais consciente, como o tratamento de dejetos animais para a produção de gás, energia e posterior reuso da água.
 
Em sistemas de produção irrigados, podem ser utilizadas técnicas de irrigação deficitária, onde a demanda hídrica da planta não é plenamente atendida, mas somente o mínimo economicamente viável. O segredo é o manejo adequado do potencial de água no solo, utilizando sensores capazes de identificar os limites estabelecidos como suas capacidades mínima e máxima de retenção de água; ou medindo o fluxo de seiva das plantas, que monitora a atividade estomática, relacionada às estruturas que regulam a evapotranspiração e fazem parte do processo de fotossíntese. Essas técnicas devem estar sempre associadas a tecnologias para monitoramento climático, provendo dados de ajustes para as condições locais, permitindo manejos mais precisos.
 
Outra estratégia para usar menos água na produção irrigada é o uso de sistemas mais eficientes em sua condução, como microaspersão e gotejamento, que têm eficiência maior que 90%, ao invés de sistemas menos eficientes, como canhão autopropelido, com eficiência menor que 80%. Essa estratégia, aliada aos corretos dimensionamento, monitoramento e manutenção do sistema, é muito eficaz em reduzir o volume de água utilizado pela irrigação. Vale lembrar que a eficiência de um sistema de irrigação também envolve a adequação de seu uso. Para isso, é preciso conhecer quando e como deve ser feita a irrigação de salvamento, a irrigação suplementar e a irrigação plena.
 
Irrigação de salvamento
Ocorre em regiões em que a demanda hídrica da cultura é quase totalmente atendida, necessitando da irrigação devido à ocorrência de veranicos ou estiagens de curta duração. Utiliza principalmente sistemas portáteis e móveis, como o canhão autopropelido, devido à maior praticidade e necessidade pontual.
 
Irrigação suplementar
Deve ser praticada em regiões em que a demanda hídrica da cultura é parcialmente atendida, mas há necessidade de irrigar devido à ocorrência de uma estação seca bem definida e com maior duração. Nessa situação, é mais recomendado utilizar sistemas fixos e de alta eficiência, como aspersão convencional, pivôs centrais e lineares.
 
Irrigação plena
Ocorre em regiões áridas ou semiáridas, em que a demanda hídrica da cultura nunca é atendida, necessitando da irrigação para garantir a produção. Essas regiões são deficientes em recursos hídricos, exigindo sistemas mais eficientes na utilização de água e energia, como os sistemas de irrigação localizada.
 
Tecnologias que favorecem a infiltração de água no solo
As tecnologias que favorecem a infiltração de água no solo aumentam o volume de água disponível às plantas sem comprometer a recarga do aquífero. Pode-se considerar que essas tecnologias são “orientadas pelo mercado e leis”, pois sua adoção massiva ocorre após a aplicação de barreiras não tarifárias advindas de mercados mais exigentes e com maior consciência ambiental ou de legislações.
 
Essas tecnologias são baseadas principalmente em práticas de conservação de solo e água, que podem ser divididas em práticas edáficas, vegetativas e mecânicas. O objetivo principal é evitar a erosão do solo, ao reduzir o impacto e a velocidade da água sobre a superfície favorecendo sua infiltração, ao invés do escorrimento superficial.
 
Dentre as práticas vegetativas de conservação, destaca-se que é necessário manter o solo protegido e com cobertura vegetal durante a maior parte do ano, utilizando rotação de culturas ou plantas de cobertura, protegendo o solo por meio de suas raízes e palhada após colheita ou dessecação. Como práticas edáficas, o uso de calcário, de fertilizantes e o não revolvimento do solo são boas alternativas. As práticas mecânicas envolvem o cultivo em linhas, a sistematização da área e a construção de terraços. Todas as tecnologias supracitadas evitam a degradação do solo, devolvendo parte dos nutrientes que foram extraídos pelas plantas ou pelo manejo inadequado.
 
Existem também estruturas que favorecem a chamada “colheita de água”. Isso pode ser realizado com a cobertura do solo ou com a construção de barragens e drenagens subsuperficiais. Essa prática converte o solo em um grande sumidouro de água, podendo ainda fazer a conexão dessas estruturas a reservatórios para armazenamento hídrico. Na região do MATOPIBA, em que há ocorrência de chuvas torrenciais, o uso de reservatórios é uma alternativa bastante interessante, já que a água pode ser armazenada na estação chuvosa para ser utilizada na estação seca.
 
O grande desafio é a integração de todas as práticas conservacionistas descritas. Um planejamento integrado e ambientalmente viável pode reduzir os custos de produção a curto e longo prazos, assim como agregar valor aos produtos via “certificações verdes”. O advento de novas tecnologias tende a facilitar o emprego dessas práticas e a aumentar a eficiência na utilização dos recursos ambientais. Dessa forma, é possível manter a utilização racional dos recursos hídricos, seja pelo setor agropecuário, grande provedor de alimentos, empregos (até quando?) e serviços ambientais, seja pelos setores urbano e industrial, provedores de mercado e serviços; e empregos e bens de consumo, respectivamente.
 
Referência
MAGALHÃES, L. A.; MIRANDA, E. E. MATOPIBA. Quadro natural. Embrapa Monitoramento por Satélite. Campinas, SP. (Nota técnica 5). Disponível em:< https://www.embrapa.br/gite/publicacoes/NT5_Matopiba_Quadro_Natural.pdf>. Acesso em: 16 set. 2015.
Aviso Legal
Para fins comerciais e/ou profissionais, em sendo citados os devidos créditos de autoria do material e do Jornal Dia de Campo como fonte original, com remissão para o site do veículo: www.diadecampo.com.br, não há objeção à reprodução total ou parcial de nossos conteúdos em qualquer tipo de mídia. A não observância integral desses critérios, todavia, implica na violação de direitos autorais, conforme Lei Nº 9610, de 19 de fevereiro de 1998, incorrendo em danos morais aos autores.
Ainda não existem comentários para esta matéria.
Para comentar
esta matéria
clique aqui
sem comentários

Conteúdos Relacionados à: Recursos Hídricos
Palavras-chave

 
11/03/2019
Expodireto Cotrijal 2019
Não-Me-Toque - RS
08/04/2019
Tecnoshow Comigo 2019
Rio Verde - GO
09/04/2019
Simpósio Nacional da Agricultura Digital
Piracicaba - SP
29/04/2019
Agrishow 2019
Ribeirão Preto - SP
14/05/2019
AgroBrasília - Feira Internacional dos Cerrados
Brasília - DF
15/05/2019
Expocafé 2019
Três Pontas - MG
16/07/2019
Minas Láctea 2019
Juiz de Fora


 
 
Palavra-chave
Busca Avançada