As principais áreas plantadas (e colhidas) no Brasil em 2013 foram: soja (cerca de 28 milhões de ha), milho (15,3 milhões de ha) e cana-de-açúcar (10,2 milhões de ha). Essas três culturas ocuparam mais de dois terços da área nacional cultivada (75,6 %). Somando-se as correspondentes áreas a de feijão (em grãos), arroz (grãos), trigo (casca), café (total grãos) e mandioca atinge-se 90% do total. Os dez por cento restantes referem-se a 59 culturas, o que demonstra nossa multiplicidade de espécies em produção e também a riqueza de ambientes.
As espécies mais plantadas são quase todas introduzidas de outros continentes, o que sugere que os esforços tecnológicos para “adaptar” essas culturas foram árduos. Uma exceção importante é a mandioca, originária do Brasil.
Em relação à quantidade produzida pela atividade agrícola somos disparados grandes produtores de cana-de-açúcar. O volume de cana produzida (768 milhões de toneladas) é nove vezes o resultado da produção da soja, primeira em área semeada e segunda em quantidade produzida (81,7 milhões). O milho, que produziu 80 milhões de toneladas, é o terceiro colocado e similar à soja em volume de produção. O quarto colocado, a mandioca, ostenta um valor produzido de 21,5 milhões, muito discrepante do terceiro colocado, é 6,79 vezes inferior em volume que o milho.
Em termos de rendimento médio (kg/ha) por espécie, as discordâncias que ocorrem na quantidade produzida não se repetem. A cana-de-açúcar, a espécie com a maior produtividade (75 t/ha), é apenas 13% mais produtiva que o tomate (66,8 t/ha). Já a diferença do tomate com o terceiro colocado é mais acentuada, 35% mais produtivo que o mamão (49,5 t/ha). Entretanto, o mamão tem uma diferença marcante com o próximo colocado, a maçâ, ele produz 54% a mais. A diferença em produtividade do mamão em relação ao quinto e sexto posicionado é ainda maior. Produz 78% mais que a batata inglesa (27,7 t/ha) e 84% a mais que a cebola (26,8 t/ha).
Esta última classificação sugere a enorme influência das espécies com a característica metabólica de fixação de carbono de tipo C4. A cana-de-açúcar, uma das espécies C4 mencionadas, vence claramente as demais. Todavia, outra espécie muito importante na nossa agricultura também é C4, o milho, e não teve produtividade competitiva (5,2 t/ha). Uma explicação seria que produzir grãos (caso do milho) é metabolicamente mais custoso que produzir colmo (cana-de-açúcar). O milho quando comparado com a soja (2,9 t/ha), que também produz grãos, mas é uma planta C3, mostra uma superioridade de 79% em produtividade.
O valor da produção das quatro principais culturas revela que 80% de nossa área colhida originou 69% de nossa riqueza agrícola. Esta comparação é até coerente, mas o que é preocupante é que apenas cinco das espécies contribuíram para essa quantia: soja (68,9 bilhões de reais), cana-de-açúcar (42,9 bilhões de reais), milho em grão (26,7 bilhões de reais), café total em grãos (12,8 bilhões de reais) e mandioca (10 bilhões de reais). No restante da superfície (20%) foram utilizadas 59 espécies que produziram apenas 31% do valor da produção.
Conclui-se que essa concentração em apenas cinco espécies mostra nossa fragilidade ante mudanças nas suas demandas, fatores climáticos limitantes e outros. Todavia, essa matriz de produção é basicamente originada pela demanda internacional e nacional em cima da qual pouca ou nenhuma influência pode ser feita.
Artigo baseia-se no último reporte completo de dados do IBGE, Produção Agrícola Municipal Culturas Temporárias e Permanentes, 2013.
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