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Tecnologia  
Inovação e tecnologia são apresentadas na Agro Centro-Oeste Familiar 2016
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Hélio Magalhães, Embrapa Arroz e Feijão
15/04/2016

O Instituto Federal Goiano (IFGoiano - Câmpus Urutaí) e parceiros realizam, entre 27 e 29 de abril, a 14ª edição da Agro Centro-Oeste Familiar 2016. Esta é a segunda vez que o IFGoiano sedia em suas dependências a Agro Centro-Oeste - a primeira foi realizada no Câmpus Morrinhos, em 2014.

O objetivo é promover a agricultura familiar como segmento produtivo essencial para a geração de emprego, renda e produção de alimentos seguros para a população. Na programação estão previstos feiras livres, exposição de produtos e serviços da agricultura familiar, seminários temáticos, oficinas e cursos práticos, dias de campo, eventos culturais e visitas técnicas.

A agricultura familiar é responsável pela maior parte dos alimentos consumidos pelos brasileiros. Ela produz 87% da mandioca, 70% do feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz e 58% do leite. A agricultura familiar detém, ainda, 59% do plantel de suínos, 50% do plantel de aves, 30% dos bovinos, e 21% do trigo.

Em Goiás, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2006) possui a maior quantidade de estabelecimentos rurais familiares na Região Centro-Oeste, com 88.433 estabelecimentos, reunindo uma produção na ordem de 610 milhões de reais, produzindo principalmente arroz, feijão, mandioca, soja, milho e café em grão, somando 185 milhões de reais, enquanto que na pecuária (leite de vaca, leite de cabra, aves e suínos) proporcionou o equivalente a 425 milhões de reais.

A Embrapa Arroz e Feijão (Santo Antônio de Goiás, GO) participa desta edição da Agro Centro-Oeste com a ministração de dois minicursos: produção própria de sementes agroecológicas e, manejo de solos em sistemas agroecológicos; uma oficina: qualidade do leite; duas demonstrações de tecnologias: fossa séptica biodigestora e, controle biológico de pragas, com ênfase no parasitoide Trichogramma; e, uma palestra sobre nutrição de bovinos leiteiros.

Fossa séptica
A fossa séptica modelo Embrapa é uma tecnologia social consolidada, desenvolvida pela Embrapa Instrumentação Agropecuária (São Carlos, SP) que contribui para a preservação de recursos hídricos na zona rural. O esgoto é lançado em um conjunto de três caixas d'água ligadas uma a outra e não ao solo, córrego ou rio, prática comum no país. O esgoto é tratado pelo processo de biodigestão anaeróbica, no qual a matéria orgânica é digerida pelas bactérias que atuam na ausência de oxigênio. Isso reduz significativamente a carga de agentes biológicos nocivos à saúde humana. O líquido que se acumula na última caixa d'água é um biofertilizante rico em nitrogênio, fósforo e potássio, que pode ser usado para adubar áreas de cultivo de árvores e forrageiras.

Oficina sobre qualidade do leite

Serão apresentados os aspectos básicos e práticos sobre a obtenção de leite com qualidade higiênico-sanitária, um dos fatores que mais interferem no rendimento industrial e garantem a possibilidade do produtor continuar comercializando seu produto. Serão abordadas as causas e medidas para evitar o aparecimento de mastites. Pela importância do leite na segurança alimentar, o objetivo da oficina estará voltado ao aprimoramento de conhecimentos técnicos para obtenção de leite com alta qualidade, salientando os prejuízos e perdas econômicas para o produtor e para o setor leiteiro, além dos riscos à saúde pública, com os problemas advindos se esses padrões de manejo não forem observados.

Alimentação do rebanho leiteiro
Nessa oficina serão discutidas questões relativas ao custo de produção de leite, rentabilidade da atividade e possibilidades para os pequenos produtores da agricultura familiar. Possibilidades com a utilização adequada das pastagens para redução dos custos com alimentação do rebanho, manejo das pastagens, níveis de suplementação com concentrados, evolução do rebanho com foco na obtenção de animais mais eficientes para a produção leiteira no futuro, alimentação no período da seca, alimentação e manejo de bezerras e novilhas leiteiras, uso da cana de açúcar na alimentação de vacas leiteiras, entre outras ações. O principal foco dessa capacitação será nas possibilidades de lucro da atividade e não na produção individual das vacas, consequências da alimentação sobre os aspectos reprodutivos e eficiência produtiva do rebanho como um todo.

Manejo de solos em sistemas agroecológicos
A qualidade do solo se relaciona com sua capacidade em desempenhar funções que interferem na produtividade de plantas e animais e no ambiente, podendo mudar com o passar do tempo em decorrência de eventos naturais ou uso humano. O manejo agroecológico do solo contribui para a manutenção e melhoria dos atributos químicos, físicos e biológicos do solo. Por isto, na recuperação de um solo degradado a adição e balanço de matéria orgânica são fundamentais, pois a melhoria e a manutenção da fertilidade só poderão ser alcançadas e mantidas, via biológica; isto é, por meio da ação de raízes, da atividade macro e microbiológica e decomposição do material orgânico. É comprovada a eficácia da prática da adubação verde, com o uso de plantas condicionadoras do solo e de cobertura, na reabilitação de solos degradados, com resultados positivos nos aspectos físicos, químicos e biológicos, bem como a eficiência dos fertilizantes orgânicos e organominerais.

Produção própria de sementes agroecológica
A produção de sementes é uma atividade que vem sendo desenvolvida ao longo do tempo a partir do processo de domesticação das plantas pelo homem, e sua importância é tanto, que as sementes são consideradas “patrimônio dos povos a serviço da humanidade”. Neste sentido, o resgate do saber popular aliado a técnicas de agricultura de base ecológica assumem papel fundamental e para tanto a produção de sementes é extremamente importante dentro desta lógica.A produção de sementes pode, e deve ser realizada nas unidades de produção (propriedades agrícolas), mas necessita que alguns cuidados sejam tomados, para que se produzam sementes com qualidade genética, fisiológica e sanitária.

Controle biológico de pragas, com ênfase no parasitoide Trichogramma
Os tricogramas são insetos que parasitam ovos de lepidópteros (mariposas e borboletas) predadores às culturas, impedindo que eles cheguem à fase adulta de reprodução. Por parasitarem os ovos de inúmeras espécies de pragas são, por isto, considerados um importante e reconhecido agente natural de controle biológico em sistemas de produção agrícola. O gênero se tornou um dos grupos de insetos mais utilizados no mundo no controle biológico das principais pragas de culturas, como o algodão, cana-de-açúcar, frutíferas, hortaliças, arroz, feijão, trigo, milho e florestas no Cerrado brasileiro.
 

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