dia de campo

a
Esqueceu a senha?
Quero me cadastrar
     25/05/2022            
 
 
    
Nutrição Vegetal      
Adubos verdes protegem milho orgânico contra ervas daninhas
Opção serve para sistema de plantio direto e integração lavoura-pecuária
Comente esta notícia Envie a um amigo Aponte Erros Imprimir  
José Tadeu Arantes, Agência FAPESP
28/07/2016

A agricultura orgânica vem crescendo de forma expressiva no Brasil. Atendendo à expansão do consumo, a quantidade de agricultores que optaram por esse sistema de produção aumentou cerca de 51,7% entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015, passando de 6.719 para 10.194, de acordo com informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Nos últimos meses de 2015, o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos já computava 11.084 participantes. E a projeção para 2016 é que o setor continue em crescimento, a uma taxa de 20% a 30%, também de acordo com números divulgados pelo Mapa.

A necessidade de responder às demandas tecnológicas do setor define uma nova fronteira para as iniciativas em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Exemplo disso foi o projeto “Milho orgânico em consórcio com adubos verdes: opção para o sistema de plantio direto e a integração lavoura-pecuária”, conduzido por Anastacia Fontanetti e apoiado pela FAPESP em acordo de cooperação com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“Buscamos uma alternativa para o controle de plantas espontâneas [popularmente chamadas de ‘ervas daninhas’], que constituem o principal problema enfrentado pelos produtores de milho orgânico”, disse Fontanetti. A pesquisadora é professora do Departamento de Desenvolvimento Rural da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Na agricultura convencional, baseada em sementes transgênicas e uso intensivo de herbicidas e outros aditivos químicos, esse controle é feito principalmente por meio do glifosato [N-(fosfonometil) glicina].

Na agricultura orgânica, a principal forma de controle adotada até o presente tem sido o revolvimento do solo. “Porém, com o revolvimento, ocorre perda de matéria orgânica, exposição à erosão, enfim, o início de um processo de depauperamento do solo que vai contra o objetivo da agricultura orgânica”, comentou a pesquisadora.

A ideia que norteou seu estudo foi substituir a prática do revolvimento pelo cultivo de plantas que, consorciadas com o milho, promovessem a cobertura do terreno, evitassem a emergência e proliferação de ervas daninhas e melhorassem a qualidade do solo, por meio da reciclagem natural de nutrientes. Para cumprir tal papel, essas plantas vivas, chamadas de “adubos verdes”, não podem competir com o milho, reduzindo a produtividade.

A barreira proporcionada pelos “adubos verdes” à proliferação de plantas espontâneas se deve, principalmente, à cobertura física do solo. Esta reduz a incidência dos raios solares e, por decorrência, dificulta a quebra de dormência e a germinação das sementes de ervas daninhas. Um fator adicional pode ser a liberação de metabólitos secundários, com função herbicida, pelas folhas e raízes ou pela decomposição da palha dos “adubos verdes”.

“Isso não é uma novidade em termos tecnológicos. Existe já bastante pesquisa a respeito. E a Embrapa desenvolveu um modelo, chamado ‘Santa Brígida’, porque foi criado na fazenda com esse nome, para o plantio consorciado. Porém, até agora, tal manejo vinha sendo realizado nos moldes da agricultura convencional, com uso de herbicidas. Nosso objetivo foi estabelecer um manejo para a produção orgânica”, afirmou Fontanetti.

A pesquisadora testou algumas plantas candidatas ao consórcio. Dentre elas, a que apresentou o melhor resultado foi o feijão guandu anão (Cajanus cajan L.). Trata-se de uma planta de porte pequeno, que demora mais tempo para germinar do que o milho, e, por isso, confere a este uma vantagem competitiva.

“Verificamos que o guandu anão não afetou a produtividade do milho, dificultou a proliferação de plantas espontâneas e aumentou o teor de nitrogênio nas plantas de milho – o que pode contribuir para o incremento de biomassa e de produtividade”, informou a pesquisadora.

Além disso, o feijão guandu anão é, ele mesmo, uma planta de interesse. Devido ao alto teor proteico, em algumas localidades do Brasil é utilizado na alimentação humana. E o sabor agreste, que pode ser matizado por meio de um preparo adequado, já facultou sua inclusão em páginas de gastronomia da web. Outro uso possível é como planta forrageira na alimentação animal. Por exemplo, soltando-se o gado na área cultivada depois da colheita do milho.

“Fizemos vários testes para descobrir também a melhor forma de plantio. O resultado mais favorável foi obtido quando plantamos o guandu anão tanto nas entrelinhas das fileiras de milho quanto nas próprias linhas, entre um pé de milho e outro”, acrescentou Fontanetti.

Culturas perenes
Outras plantas testadas, com tradição de uso na alimentação animal, foram a puerária (Pueraria phaseoloides (Roxb.) Benth), o calopogônio (Calopogonium mucunoides Desv.) e a soja perene (Neonotonia wightii (Wight & Arn) Lackey)). São plantas herbáceas baixas, menores do que o guandu e bem menores do que o milho. O melhor resultado foi obtido com o calopogônio, que mais rapidamente cobriu o solo, evitando a emergência de plantas daninhas.

Dentre as estratégias utilizadas pelos produtores orgânicos para controlar as ervas daninhas nas culturas de milho, devem-se mencionar ainda o uso de vinagre (ácido acético) como herbicida, o controle por meio do fogo e o emprego de um novo equipamento, já disponível no mercado, que extermina a planta indesejável por meio de choque elétrico. “Considerando essas várias opções de manejo, o plantio consorciado me parece a melhor opção, não só pelo benefício direto ao milho, como pelo melhoramento do solo, evitando a erosão e agregando matéria orgânica”, ponderou a pesquisadora.

Após a colheita do milho, os adubos verdes são mantidos no solo, pois constituem culturas perenes. Como regra de manejo, Fontanetti recomenda que, depois de retiradas as espigas, as plantas de milho e os “adubos verdes” sejam roçados e seus resíduos mantidos sobre o solo como cobertura. “Ao se decompor, os resíduos vegetais e as raízes agregam matéria orgânica ao solo. Além disso, é melhor não revolver a terra, mas plantar em cima. O princípio é revolver o solo o mínimo possível. Tanto para preservar os nutrientes como para não expor as sementes de ervas daninhas à luz e ao calor, o que favoreceria sua germinação”, concluiu.
 

Aviso Legal
Para fins comerciais e/ou profissionais, em sendo citados os devidos créditos de autoria do material e do Jornal Dia de Campo como fonte original, com remissão para o site do veículo: www.diadecampo.com.br, não há objeção à reprodução total ou parcial de nossos conteúdos em qualquer tipo de mídia. A não observância integral desses critérios, todavia, implica na violação de direitos autorais, conforme Lei Nº 9610, de 19 de fevereiro de 1998, incorrendo em danos morais aos autores.
Ainda não existem comentários para esta matéria.
Para comentar
esta matéria
clique aqui
sem comentários

Conteúdos Relacionados à: Notícia
Palavras-chave

 
11/03/2019
Expodireto Cotrijal 2019
Não-Me-Toque - RS
08/04/2019
Tecnoshow Comigo 2019
Rio Verde - GO
09/04/2019
Simpósio Nacional da Agricultura Digital
Piracicaba - SP
29/04/2019
Agrishow 2019
Ribeirão Preto - SP
14/05/2019
AgroBrasília - Feira Internacional dos Cerrados
Brasília - DF
15/05/2019
Expocafé 2019
Três Pontas - MG
16/07/2019
Minas Láctea 2019
Juiz de Fora


 
 
Palavra-chave
Busca Avançada