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     21/11/2017            
 
 
    

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Tempos de crise econômica no país: as pessoas são levadas naturalmente a buscar saídas e comparar com as coisas que estão dando certo. Um dos alvos é a produtividade, com frequência apontada como um dos gargalos do país, em setores da indústria e serviços. E a comparação inevitável é com o agronegócio, que vem esbanjando eficiência há anos.

Nos últimos 20 anos, a produção brasileira de grãos cresceu a uma taxa de 4,8% ao ano. A área plantada evoluiu 2,1% a.a. e a produtividade avançou 2,7% a.a. No balanço da agropecuária, nos últimos 40 anos, a Produtividade Total dos Fatores de Produção cresceu 3,5% ao ano, o dobro dos EUA (1,7% a.a.). Trata-se de produtividade e competitividade acumuladas.

E por que o vento soprou a favor da produtividade do campo? Sem recorrer a modelos prontos, pois as realidades produtivas são complexas e exigem estudo segmentado das cadeias produtivas, observam-se algumas evidências empíricas do sucesso de produtividade do agro, que podem estimular a reflexão sobre eficiência em outras áreas da economia.

Por exemplo, o agronegócio encurtou os ciclos de progresso tecnológico. Disseminou a inovação e diminuiu a distância tecnológica entre os empreendedores (isso é essencial para elevar a produtividade de um setor), homogeneizando para cima a eficiência de suas cadeias produtivas mais dinâmicas, principalmente aquelas com inserção mais forte no mercado internacional.

Ao se homogeneizar o padrão tecnológico, fomentou-se a busca por diferenciação competitiva entre os empreendedores (produtores, empresas e cooperativas), construindo uma consistente e disseminada cultura de eficiência, cuja pressão por qualidade e inovação junto aos geradores tradicionais de tecnologia (universidades, instituições de pesquisa e empresas) multiplicou-se.

Com isso cresceu o grau “disruptivo” das chamadas “ciências do agro”, acelerando a incorporação de progresso técnico pelos empreendedores do setor, encurtando os ciclos de vida dos fatores de produção (produtos e serviços) e criando um ambiente inovador cujo alcance chegou à ponta de consumo das cadeias de alimentos e bioenergia, via ganhos de eficiência produtiva e também evolução qualitativa das matérias-primas geradas no campo.

Inovação e empreendedorismo livre, leve e solto, no melhor espírito do século XXI. Não por acaso observa-se hoje no agro o surgimento rápido de startups de tecnologia (as chamadas “agritechs”), que já estão na casa dos 80 empreendimentos, segundo pesquisa da ESALQ-USP. Lembrando que, no agro, este era um segmento que há três anos estava praticamente na estaca zero.

Claro que a questão da produtividade não se esgota no universo da tecnologia, pois outros fatores críticos pesam na balança – como complexidade tributária, regulação dos setores, segurança jurídica, demanda e acesso ao crédito. Mas essa vivência bem sucedida do agro pode ser uma referência importante para se pensar estrategicamente a retomada da atividade econômica em outros setores da economia brasileira.

Até para o próprio agro será uma reflexão útil, visando calibrar a estrutura e propulsão tecnológica ideal para sustentar seu círculo virtuoso de competitividade. Já se viu, por exemplo, que esta fórmula pode dar mais resiliência aos sistemas produtivos diante de impactos econômicos inesperados, como bem mostrou a moderna cadeia produtiva da carne suína, recentemente, diante do desafio dos preços de milho nas alturas.

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