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Kamila Pitombeira
30/08/2011
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Além dos cuidados com a higiene na produção de leite bovino, os produtores precisam atentar para alguns cuidados de manejo que podem ser decisivos quando o assunto é a produtividade dos animais. Entre cada lactação, por exemplo, é necessário que as vacas passem por um período seco, ou seja, um período de descanso. Essa pausa na produção é essencial para que o animal se recupere de sua fase de lactação, mantendo-se saudável e produtivo.
O manejo de vacas secas foi um dos temas do Curso de Capacitação Continuada de Técnicos da Cadeia Produtiva do Leite, realizado entre os dias 16 e 18 de agosto, no auditório da Acicave, em Campo Verde (MG). O curso abordou medidas como alimentação a base de pastagem de qualidade nesse período de descanso, além de local adequado que ofereça sombra no verão e eventual suplementação alimentar no inverno.
Segundo Sandra Gesteira, professora do curso de medicina veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o período seco é o período que ocorre entre duas lactações, ou seja, é um período de descanso da fase produtiva para o animal.
— Nesse período, o animal tem tempo de refazer toda a estrutura da glândula mamária e de renovar suas células, fazendo com que logo que se inicie uma nova lactação, esse animal possa ter uma alta produção de leite. Ele sai de dietas onde consumia muito concentrado e tinha ambiente de rúmen muito ácido, entrando em descanso — afirma a professora.
Portanto, como completa Sandra, esse é um período onde o animal recupera também as condições de rúmen, além de ter uma parada produtiva, preparando-se para uma nova lactação.
— Essas vacas saem de uma fase de alimentação mais acelerada, onde recebiam alimentos conservados, no período da seca, e passam a receber uma dieta de pasto. Nesse período, o animal não deve nem ganhar nem perder peso. Ele deve chegar ao final da lactação com condição corporal de 3 ou 3,5, onde 1 quer dizer vaca muito magra e 5 quer dizer vaca muito gorda — explica.
De acordo com a professora, as vacas que não passam por períodos de descanso não conseguem se recompor e acabam tendo uma produção de leite menor na lactação seguinte. Além disso, podem ocorrer comprometimentos de saúde, como o aumento de distúrbios metabólicos e até mesmo a dificuldade de produção desse animal após o parto.
— O ideal é que, no período seco, as vacas fiquem a pasto, desde que a pastagem seja capaz de suprir as exigências de manutenção do corpo. É preciso ter a quantidade necessária de energia, proteína, minerais e vitaminas para que o animal não perca peso. Se o período seco ocorrer na época em que não chove, é preciso ainda suplementar esse animal com cana-de-açúcar ou silagem de sorgo e milho. Nos 21 dias finais da gestação, o animal deve receber os mesmos alimentos que receberá após parir, para que vá se adaptando à nova dieta que já inclui a ração — orienta ela.
Sandra diz ainda que, no período seco, podem ocorrer problemas metabólicos nos animais. Nas três semanas finais de gestação, bem como nas três semanas após o parto, se concentram os maiores problemas com as vacas de leite. Aproximadamente 70% dos distúrbios acontecem nesse período. Isso ocorre devido à queda da imunidade do animal, ao balanço de hormônios e ao desgaste sofrido com o parto.
Para mais informações, basta entrar em contato com a UFMG através do número (31) 3409-5000.

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