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A adição de esterco bovino e fosfato natural na adubação da fava d’anta faz a árvore crescer mais em altura e diâmetro. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo engenheiro agrônomo Manoel Ferreira de Souza, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). A fava d’anta, cujo nome científico é Dimorphandra mollis Benth, é uma espécie nativa do cerrado mineiro que vem trazendo grande potencial econômico para os produtores locais. Além de ser utilizada na regeneração do bioma local, a espécie oferece princípios ativos medicinais, principalmente a rutina, que são usados nas indústrias farmacêuticas.
Com a grande expansão da fronteira agrícola no bioma cerrado, onde se encontram hoje os maiores produtores de celulose, grãos e carne bovina, houve uma diminuição da população da fava d’anta. O trabalho de pesquisa da UFMG foi realizado com o objetivo de oferecer informações e tecnologias para que os produtores restabeleçam o equilíbrio dessa espécie.
— Nós testamos a germinação dessa espécie em substratos diferentes no próprio bioma através da semeadura no sistema de sequeiro, buscando imitar a realidade que ela vive no cerrado. As plantas passam por um período critico de déficit hídrico quevai de maio até final de setembro. Avaliamos então se o tipo de adubo que utilizamos teria algum efeito sobre essa sobrevivência das plantas — explica Souza.
Foram feitos quatro tratamentos em quatro épocas diferentes. No primeiro, utilizou-se apenas o esterco bovino em cova, onde foram semeadas as plantas. No segundo, o fosfato natural sozinho também foi distribuído na cova. No terceiro tratamento foram utilizados os dois adubos. O quarto tratamento foi a testemunha, realizado sem qualquer adubação. O resultado mostrou que a adição da combinação do fosfato natural com o esterco bovino apresentou os melhores resultados.
— Fizemos nosso experimento em uma comunidade rural que fica a 30 quilômetros da cidade de Montes Claros, onde o pessoal trabalha extrativismo dessa planta. Com isso, mostramos que eles podem, além de preservar ao máximo das áreas nativas, inserir novas plantas no bioma e garantir uma renda extra por longos períodos. Isso não vai diminuir o número de plantas, pelo contrário, vai aumentar — comemora o pesquisador.
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