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Recorrente em plantações de todo o país, o caruncho-do-milho infesta plantações antes da colheita. Essa foi a motivação para o trabalho desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) em parceria com a Embrapa Milho e Sorgo desde o início dos anos 90. A finalidade é analisar a resistência fisiológica da espécie aos inseticidas. O produtor deve se atentar para o período de armazenagem dos grãos, quando ocorre a perda de produção por conta da presença dos insetos durante o cultivo.
De acordo com Raul Narciso Carvalho Guedes, professor do Departamento de Biologia Animal da UFV, a presença do caruncho pode ser evitada com a aplicação de inseticidas testados ao longo dos anos. Porém, o acúmulo de grãos é condição favorável ao aparecimento da praga. Afinal, os grãos oferecem os substratos adequados ao desenvolvimento da população dos carunchos.
— O que temos trabalhado é a resistência fisiológica dos insetos que possuem uma modificação bioquímica no organismo que impede que o inseticida atue eficientemente nele. O inseticida penetra no inseto mas não interage com a molécula que iria desencadear o efeito tóxico. Ela não se liga direito a essa estrutura, que seria um canal de sódio no sistema nervoso do inseto — explica o pesquisador.
Atualmente, são utilizados dois grupos de inseticidas em território brasileiro. O organofosforado mais usado ultimamente é o pirimifós metílico. Entre os piretróides, estão a bifentrina e a permetrina. Raul ressalta que o caruncho-do-milho adquiriu certa resistência aos piretróides e que, por isso, a solução encontrada foi a mistura com os compostos organofosforados no início dos anos 2000. Desta forma, a autodefesa das pragas foi diminuída, de acordo com levantamentos realizados há cerca de 3 anos pelo professor.
— Devagar vem aparecendo a resistência às misturas, o que pode se tornar um problema no futuro. O controle desses insetos é difícil de ser feito. Se o grão está exposto, ou seja, se a cobertura de palha da espiga não é boa, a incidência é maior. Além disso, o caruncho encontra taxas de reprodução mais elevadas em condições climáticas das regiões mais quentes, com a temperatura em torno de 30°. Já a umidade não influencia muito. A solução é empregar os inseticidas na época certa, com todos os cuidados e equipamentos para a proteção do trabalhador, mesmo que boa parte dessas substâncias sejam de baixa toxicidade — completa Raul.
Para mais informações, o produtor deve entrar em contato com o Departamento de Biologia Animal da UFV pelo telefone (31) 3899-4026.

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