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Kamila Pitombeira
24/09/2012
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O controle de doenças da sojicultura exige preparo e monitoramento constante. No Estado do Mato Grosso, por exemplo, a Fundação MT vem realizando um trabalho que busca orientar os produtores a como lidar com o problema. Entre as principais recomendações, o bom preparo do solo é primordial, seguido pela aplicação de fungicidas no momento adequado e a qualidade das sementes. Essas medidas podem ajudar a minimizar os prejuízos causados por doenças como a ferrugem, que já chegaram a US$ 20 bilhões somente entre os anos de 2002 e 2011.
Segundo o fitopatologista e consultor José Tadashi, o momento é propício para o início da mancha-alvo, causada por fungo nativo da região. Devido às condições climáticas de pouca chuva e muito calor, pode ocorrer ainda um anelamento da planta ao nível do solo, devido justamente à temperatura.
— Já com a perspectiva de chuva abundante na safra, a doença que nos preocupa é a ferrugem. De 2002 até a colheita de 2011, ela já somou um prejuízo de US$20 bilhões no campo. Fora isso, temos doenças que surgem na medida em que a soja vai se desenvolvendo, como a antracnose, que deteriora a vagem e os grãos — conta o fitopatologista.
Ainda de acordo com ele, em muitas situações o solo não se encontra devidamente preparado ou aparece compactado. Além disso, muitos cultivos têm sido feitos em solos arenosos, o que provoca o aquecimento. Portanto, o preparo do solo, aliado a uma adubação adequada são fundamentais.
— Muitos dos problemas estão relacionados ainda com a falta de cobertura no solo. Para viabilizar melhor o controle das doenças, é necessário plantar a soja em um ambiente onde o solo é bem preparado e manejado. A partir daí, o controle é viabilizado através do uso de fungicidas, rotação de culturas e outras práticas agronômicas — diz.
Para tadashi, entre os cuidados com a aplicação de fungicidas, o produtor deve acompanhar o desenvolvimento da lavoura, identificando a ocorrência das doenças e aplicando os produtos no momento correto.
— No caso da ferrugem, experiências mostram que o estágio mais propício é o do florescimento, chamado R1. No entanto, esse estágio pode variar. Portanto, o agricultor precisa conhecer os detalhes e não se fixar apenas no estágio R1. Além disso, ele deve escolher os melhores produtos disponíveis no mercado — orienta.
Resultados de pesquisas têm mostrado que o controle de doenças através do uso de fungicidas tem sido viável. No entanto, em muitas situações, apesar da eficácia e eficiência da aplicação, muitas vezes os produtores encontram dificuldade em obedecer às recomendações, como conta o entrevistado.
— Isso pode acontecer por causa de muitos fatores. Por exemplo, pode chover no momento da aplicação. Esses casos inevitáveis mostram que, para ter mais segurança, o agricultor deve ter uma soja com bastante abertura foliar, bem plantada, sem excesso de plantas e sem acamamento — diz.

ERRATA: Ao contrário do que é falado no áudio desta entrevista, José Tadashi não é fitopatologista da Fundação MT. Tadashi atualmente é consultor técnico-científico para instituições privadas de pesquisa agrícola, associações de produtores, cooperativas e empresas multinacionais de defensivos, com atividades desenvolvidas em todo o Brasil e na Bolívia.
Reportagem exclusiva originalmente publicada em 12/12/2011
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