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Kamila Pitombeira
04/03/2013
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A castanha-do-brasil é uma das principais fontes de renda das famílias extrativistas no Estado do Acre. No entanto, existem algumas limitações comerciais do produto devido à contaminação por fungos produtores de aflatoxinas, substância de efeito cancerígeno. Esse problema pode ser minimizado adotando simples práticas de manejo mais adequadas. Esse é um dos objetivos da Embrapa Acre, que tem como objetivo divulgar resultados de pesquisas e novidades tecnológicas, orientando os produtores para o fortalecimento da cadeia produtiva da castanha.
— As boas práticas vão desde a questão de conhecer bem a floresta até os cuidados antes, durante e depois da coleta. A questão mais importante dentro das boas práticas é a qualidade, o que diz respeito à seleção das castanhas e à secagem na hora do armazenamento. Nessas etapas, o produtor deve selecionar as castanhas boas e descartar as que apresentem problemas, como rachaduras ou podridões — afirma Lúcia Helena Wadt, pesquisadora da Embrapa Acre.
As boas práticas recomendam ainda que o produtor não deixe o fruto por muito tempo no chão, antes da coleta. No ano de 2011, por exemplo, a queda dos frutos ocorreu mais cedo, em uma época incomum. Portanto, assim que o produtor perceber que os frutos estão caindo, ele deve fazer a montoa, de acordo com Lúcia. Além disso, ele deve retirar as castanhas em um período máximo de três dias.
— Já a secagem das castanhas, é feita ao ar livre, onde elas devem ser mantidas arejadas e na sombra. O ideal é que exista um armazém para isso. De preferência, com um pedaço do chão telado, onde o produtor deve colocar a castanha e revolvê-la até uma secagem visualmente completa. Esse processo dura entre três e quatro dias, dependendo da região e das condições climáticas — diz.
Outro ponto importante é a lavagem. A pesquisadora conta que os produtores do Estado, diferentemente dos demais produtores do país, não costumam lavar a castanha. No entanto, a lavagem ajuda na eliminação das castanhas ruins, já que elas bóiam quando colocadas em uma bacia com água. O único problema é a secagem após esse processo, que deve ser adequada, evitando assim o apodrecimento. Nesse caso, a secagem deve ser feita com secador apropriado.
— Alguns estudos mostram que essas medidas diminuem bastante a contaminação, mas não são suficientes. Por isso, a Embrapa está desenvolvendo um secador que não necessitará de energia elétrica — revela Helena.
As boas práticas extrativistas trazem diversos benefícios ao produtor. De acordo com a entrevistada, em termos de empreendimento, a questão de controlar um pouco mais a produção gera benefícios no caso de eventuais conflitos de terras. Outro benefício é a melhora da qualidade do produto, que pode passar a contar com a certificação, seja orgânica ou florestal, dependendo do mercado.
Para mais informações, basta entrar em contato com a Embrapa Acre através do número (68) 3212-3200.

Reportagem exclusiva originalmente publicada em 23/12/2011
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