
A piscicultura em Mato Grosso do Sul alcançou visibilidade no cenário nacional no início da década de 90, em função de investimentos massivos de algumas pisciculturas da região, que proporcionaram o desenvolvimento de tecnologia pioneira para a produção em escala comercial de algumas espécies nativas, como o pintado, dourado e pacu. Das espécies produzidas, o pintado é a mais valorizada por apresentar excelente qualidade de carne e preço atrativo, chegando o filé a custar cerca de R$ 45 no mercado europeu.
Em função do crescimento da atividade, as necessidades de planos de ações ordenados e definições de políticas públicas se tornaram demandas emergenciais por parte dos produtores. Algumas iniciativas do Estado, como o Plano de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Cadeia da Piscicultura promovido pela Secretaria de Planejamento, Ciência e Tecnologia (SEPLANCT) e Secretaria da Produção e do Turismo (SEPROTUR) em 2002, e a formação da Câmara Setorial da Piscicultura, em 2003, tiveram importante papel apoiador na organização da cadeia produtiva de piscicultura em Mato Grosso do Sul.
Dentre algumas atividades iniciais, a região da Grande Dourados foi priorizada para a elaboração de diagnóstico de produção e perfil do produtor em 2002, considerando sua importância em termos de produção e a presença de vários segmentos da cadeia produtiva na região. Para isso, houve articulação inicial da Seprotur e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE/MS), que foi efetivada, juntamente com parceiros locais.
Neste levantamento, realizado em 2002, foi constatado que na região existem 314 pisciculturas cadastradas, que correspondem a 1.248,44 hectares de lâmina d’água e representam 50,9% da área de cultivo em todo o Estado. No período de 2001 e 2002, a região foi responsável por 62,0% do total de peixes cultivados, com produção média estimada em torno de 4 mil toneladas. Os principais municípios produtores da região foram: Dourados, com 71 pisciculturas e área total de 428,57 hectares, e Itaporã com 60 propriedades e área total de 464,11 hectares. Além de Dourados e Itaporã, existem pisciculturas em Caarapó, Deodápolis, Douradina, Fátima do Sul, Glória de Dourados, Jateí, Maracaju, Rio Brilhante, Vicentina, que totalizam 355,76 hectares.
Atualmente, a região da Grande Dourados conta com pisciculturas especializadas na produção de alevinos e engorda, fábrica de ração, organizações de produtores (Cooperativa e OSCIP), fornecedores de adubos, equipamentos e medicamentos, frigorífico com inspeção federal e entreposto em fase de implantação, peixarias, restaurantes, pesque e pague, universidades e instituição de pesquisa, que representam praticamente todos os elos da cadeia produtiva, desde fornecimento de insumos, transformação, desenvolvimento de tecnologia, distribuição e comercialização.
No caso do potencial de desenvolvimento de tecnologias, a presença de faculdades e universidades como a Faculdade Anhanguera, Centro Universitário da Grande Dourados (UNIGRAN), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), além de uma unidade de pesquisa da Embrapa, a Embrapa Agropecuária Oeste, e o escritório regional da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (AGRAER) que devem auxiliar o crescimento do setor na região, com a formação de técnicos especializados e desenvolvimento de atividades de pesquisa, transferência de tecnologia e extensão. Desde 2005, a Embrapa Agropecuária Oeste coordena o Núcleo de Pesquisa em Aquicultura de Mato Grosso do Sul (NUPAQ/MS), que surgiu como demanda da Câmara Setorial de Piscicultura e visa ordenar e articular demandas tecnológicas e de pesquisa do setor produtivo com a participação de parceiros de diversos segmentos.
Considerando a significativa produção no Estado e relativa organização da cadeia produtiva, a região da Grande Dourados vem recebendo nesses últimos anos grandes incentivos governamentais. Pode-se destacar que a cadeia produtiva da piscicultura está inserida no Programa Territórios da Cidadania. Isso também traz grande responsabilidade para a região, no sentido de responder de maneira efetiva aos investimentos que estão sendo direcionados para piscicultura e tornar a atividade cada vez mais representativa para região e para Mato Grosso do Sul.
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