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     04/07/2026            
 
 
    

 

Diversas espécies de palmeiras têm sido objeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil visando à produção de biodiesel. Entre as espécies estudadas, a macaúba, Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. Ex Mart., uma palmeira nativa das florestas tropicais e amplamente dispersa no território brasileiro. Seu aproveitamento econômico pode ser medido em termos energéticos, como produtora de óleo de polpa para produção de biodiesel e carvão do endocarpo, além do potencial de uso na indústria de alimentos, ração animal e cosméticos. Estima-se a produtividade, em plantios de macaúba com densidade de 200 plantas/ha, próxima de 5 t de óleo. Além de fonte alternativa para produção de biodiesel, o endocarpo da macaúba é considerado uma potencial fonte de utilização para produção de carvão vegetal de elevada qualidade, superior ao carvão produzido de eucalipto. O óleo das amêndoas destaca-se pelo percentual de ácido láurico, o que permite a inclusão da macaúba nas oleaginosas do grupo dos láuricos, valorizados no mercado internacional por sua ampla utilização na indústria de alimentos e cosméticos, e o farelo da amêndoa, com alto teor de proteína, pode ser utilizado na composição de rações para animais.

O recente cenário global prevê uma nova escalada de preços do barril de petróleo, além de um aumento da demanda pelo seu consumo, o que tem levado muitos países, inclusive o Brasil, a investir em programas de produção de óleos vegetais em substituição ao óleo fóssil. Outro aspecto importante no cenário atual é o apelo ambiental. O estabelecimento de metas quantitativas acordadas para redução dos níveis dos gases de efeito estufa pelos países desenvolvidos, somado ao aumento da demanda por combustíveis, tem impulsionado o uso de fontes de energia renováveis, com o objetivo de, além de diminuir a dependência externa de petróleo, minimizar os efeitos das emissões veiculares na poluição, principalmente nos grandes centros urbanos, e controlar a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.

Entre as fontes de combustíveis renováveis, o biodiesel tem recebido a merecida atenção com o lançamento do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) que visa, junto as razões citadas acima, beneficiar a agricultura familiar e promover a inclusão social com maior oferta de empregos no campo. A produção de biodiesel a partir da macaúba segue as linhas de desenvolvimento tecnológico a médio prazo, com a criação de sistemas de produção de oleaginosas perenes. A macaúba apresenta potencial para produção de óleo comparável ao dendê. Além disso, essa espécie é adaptada a ambientes mais secos do que o dendê pode suportar. Esse aspecto será importante frente a cenários futuros de mudanças climáticas com aumento da temperatura terrestre e, consequentemente, aumento da deficiência hídrica. Especialistas preveem mudanças na atual configuração agrícola do país para as próximas décadas. Dessa forma, a macaúba poderá tornar-se uma alternativa viável em áreas de maior risco climático para produção de biodiesel.

Entretanto, no processo de domesticação para viabilizar o uso dessa espécie como fonte de combustível renovável, são necessários estudos para adequação de um sistema de cultivo capaz de explorar seu potencial de rendimento. Nesse sentido, ações de pesquisas têm sido realizadas visando contribuir para domesticação e utilização dessa espécie nativa como fonte alternativa de matéria-prima. Entre os estudos em andamento, estão pesquisas relacionadas com efeitos do uso de irrigação e adubação. A adubação é um aspecto importante entre os fatores que podem limitar a capacidade produtiva de uma cultura, além disso, há a necessidade de avaliar os efeitos da irrigação, prevendo a alternativa por cultivos de elevado nível tecnológico, assim como, verificar a viabilidade do uso de sistemas irrigados frente a possíveis respostas dessa espécie.

O processo de domesticação da macaúba será também altamente dependente do gerenciamento da variabilidade genética existente, evidenciando a necessidade da coleta, caracterização e conservação dos recursos genéticos em banco de germoplasma, visando ao melhoramento dessa espécie. Diversos estudos foram realizados com o intuito de caracterizar quanto a aspectos produtivos, morfológicos ou biométricos, fenológicos, reprodutivos e moleculares. Entretanto, até então, esses trabalhos foram realizados em populações naturais de diversas localidades de diferentes regiões do Brasil, ou com base em amostras (frutos ou DNA) retiradas dessas populações. Tais estudos foram importantes para atestar o potencial dessa espécie em relação a produtos e coprodutos em suas inúmeras finalidades (biodiesel, carvão, cosméticos, fitoterápico, alimentação humana, ração animal) e (ou) verificar a variabilidade existente, e servirão para nortear e (ou) justificar ações de pesquisas voltadas ao pré-melhoramento e melhoramento da macaúba.

Atualmente, a Embrapa é responsável por um banco ativo de germoplasma de macaúba estabelecido na área experimental da unidade ecorregional Embrapa Cerrados, em Planaltina, DF. Recentemente instalado, o Banco Ativo de Germoplasma de Macaúba da Embrapa Cerrados (BAGMC) conta com 100 acessos oriundos de diversas regiões do território brasileiro. Trabalhos de conservação, caracterização, avaliação e enriquecimento do BAGMC vêm sendo realizados. Dessa forma, será possível identificar quais acessos são promissores para uso no melhoramento, visando superar e contornar as limitações dessa espécie que possam interferir no sistema de cultivo, preenchendo lacunas e tornando-a viável para inserção no crescente mercado de biocombustíveis. Nesse contexto, essas ações de pesquisas, desde a avaliação de fatores do sistema de cultivo à caracterização e avaliação de acessos conservados em banco de germoplasma, poderão contribuir de forma efetiva para a diversificação das fontes de óleo vegetal e, consequentemente, para atingir as metas do PNPB, inserindo uma espécie com elevada adaptação aos diferentes biomas brasileiros e com um elevado potencial de rendimento de óleo por área ocupada.
 

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Luis alvarenga
24/01/2011 - 09:29
O autor se engana quando afirma "O recente cenßrio global prevÛ uma nova escalada de preþos do barril de petr¾leo, alÚm de um aumento da demanda pelo seu consumo, o que tem levado muitos paÝses, inclusive o Brasil, a investir em programas de produþÒo de ¾leos vegetais em substituiþÒo ao ¾leo f¾ssil."
Ao contrßrio do que parece, superficialmente, isto dep§e contra os biocombustÝveis, pois com o petr¾leo em alta e o Brasil acelerando a exploraþÒo do prÚ-sal, o mais ¾bvio Ú o paÝs faturar em cima do que a presidenta chamou de "nosso bilhete premiado". Os biocombustÝveis esfriaram, basta olhar para perceber que nÒo hß mais editais para pesquisa como havia hß 3-4 anos.

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