
Por definição, a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas consiste no emprego de conhecimentos científicos que permitam a correta colocação do produto biologicamente ativo sobre o alvo, no momento correto, na quantidade adequada, de forma econômica e com a menor contaminação ambiental possível. O sinônimo para isto é maior eficiência nesta operação agrícola!
Nestes mais de 100 anos de prática da pulverização agrícola, evoluímos muito desde a benzedura das plantas realizada com vassouras, mas em termos de eficiência ainda temos muito a melhorar. Basta fazermos uma analogia: quantos tiros (gotas) são necessários durante o processo de pulverização para que apenas um alvo (inseto) seja atingido!
A tecnologia atual ainda não chegou ao ponto de conseguirmos colocar o produto apenas sobre o alvo biológico, mas podemos melhorar bastante com pequenas atitudes, como por exemplo trabalhar a quantidade aplicada quando se trata de volume de calda e redução de contaminação ambiental. Há uma tendência geral para a redução do volume de calda aplicado por hectare. Na agricultura era muito comum a aplicação de alto volume, onde as plantas eram literalmente lavadas com a calda durante a pulverização.
Já podemos observar uma tendência de redução neste volume de aplicação, o que tem como consequência redução do volume de água gasta durante a operação, aumentando significativamente o rendimento operacional do pulverizador, e redução de contaminação ambiental, uma vez que reduzimos também a quantidade de produto que acaba caindo no solo por escorrimento o deriva durante a operação. E o melhor, a qualidade do controle pode ser mantida, portanto, conseguimos maior eficiência no processo!
Outras atitudes também podem trazer grande benefício ao sucesso na aplicação de defensivos agrícolas, como o cuidado com a qualidade da água. Já é bastante comentado o efeito do pH da água sobre alguns agrotóxicos (Tabela 1), sendo que o pH ideal para a maioria dos produtos situa-se na faixa ácida, abaixo de 5,0. Mas há outro aspecto da qualidade da água bastante negligenciado que também pode comprometer a eficiência dos agrotóxicos: a dureza da água!
Tabela 1- Exemplos da ação do pH sobre a vida média do produto.

A dureza da água faz referência à quantidade de sais, principalmente de cálcio e magnésio, presentes na água e expressos em termos de equivalente de carbonato de cálcio. Quanto maior a quantidade destes sais, mais dura é a água, ou “salobra” como se diz na linguagem popular. O uso de água salobra no preparo da calda, assim como as ricas em íons de ferro e argila, pode levar a redução da eficiência do defensivo e entupimento dos bicos, principalmente devido a reação entre estes sais e o ingrediente ativo da formulação causando precipitação ou floculação.
No caso de águas duras, cuja presença de carbonatos e hidróxidos de Cálcio e Magnésio é significativa, ocorre ainda uma consequente alcalinidade da água, ou seja, o pH da água pode ser diretamente afetado pela dureza da água. Geralmente as formulações já apresentam adjuvantes que permitem a correção do pH da água, mas em águas muito duras a ação tamponante destes componentes da formulação poderá ser minimizada, não surtindo tanto efeito sobre o pH quanto esperado.
Há escalas para dureza da água, mas geralmente água é considerada dura ou muito dura quando apresenta índice acima de 320,4 mg de CaCO3 L-1 (Tabela 2). Nestes casos, a correção pode ser efetuada com compostos como o sulfato de amônio, ou também quelantes tornando esta água mais adequada ao uso para preparo da calda.
Tabela 2- Escala de dureza da água

Ainda há muito a se melhorar a eficiência na aplicação de defensivos agrícolas no campo. Conhecimento técnico tem sido empregado paulatinamente e avanços têm sido observados tanto no desenvolvimento de equipamentos e componentes de máquinas quanto em metodologias. Mas é importante notar que, muitas vezes, o que parece um pequeno detalhe já pode proporcionar resultados bastante significativos. É o caso de uma análise simples da qualidade da água e a redução do volume de calda aplicado levando a maior eficiência da pulverização, através da ação adequada da formulação e redução de custos operacionais e riscos ambientais.
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