dia de campo

a
Esqueceu a senha?
Quero me cadastrar
     31/03/2026            
 
 
    

Durante o período de estiagem em Rondônia, de junho a setembro, a falta de água e as altas temperaturas podem afetar a emissão de flores do cafeeiro e, consequentemente, a sua produtividade. Em Rondônia, a florada principal dos cafeeiros Conilon e Robusta ocorre entre o fim de julho e o início de agosto e, dependendo das principais condicionantes climáticas (chuvas e temperatura média mensal acumulada), pode ocorrer uma segunda e, ainda, uma terceira época de florescimento nos meses de agosto, setembro e outubro.

Uma forma de auxiliar na uniformização da florada e, consequentemente, aumentar a produtividade do cafezal é manter as entrelinhas do cafezal protegidas com o uso de cobertura morta nesse período de estiagem, com uso de capins, palhadas, casca de café, roço das plantas daninhas e outros resíduos existentes na propriedade rural.

Além da cobertura morta do solo conservar a água para a lavoura e evitar altas temperaturas no terreno, ela enriquece o solo com matéria orgânica e alguns nutrientes e reduz a presença de plantas daninhas, influenciando diretamente na produção do cafezal.

Segundo trabalhos de pesquisa, desenvolvidos em Rondônia e Minas Gerais, a casca de café é uma excelente fornecedora de matéria orgânica, sendo uma das maiores fontes orgânicas de potássio e nitrogênio, além de melhorar a capacidade de retenção de umidade pelo solo; diminuir a temperatura nas camadas superficiais e melhorar o arejamento do solo; controlar a erosão e reduzir o crescimento de plantas daninhas.

Em ensaios conduzidos na Embrapa Rondônia, a aplicação de 70 t/ha de casca de café em um cafezal recepado promoveu um aumento nos níveis foliares de fósforo, potássio, cálcio e magnésio e aumento da produtividade do cafeeiro em até 90% (20 para 38 sacas/ha), em relação à testemunha não recepada, e 38% (28 para 38 sacas/ha) em relação ao cafeeiro recepado e sem cobertura, além de controlar eficientemente as plantas daninhas.

Em outro ensaio conduzido na Universidade de Viçosa, também foi testada casca de café como cobertura de solo no cafezal e observou-se uma maior retenção da água no solo e uma condição mais favorável dele à manutenção do sistema radicular do café, principalmente após longo período de déficit hídrico, aumentando duas vezes a quantidade de raízes em comparação com o tratamento sem cobertura.

Outra forma de obter resíduos para cobertura do solo é o cultivo intercalar de leguminosas e/ou gramíneas nas ruas do cafezal, devendo as mesmas serem cortadas no final do período chuvoso para a formação da cobertura morta e proteção do solo no período seco. Além de servir como fonte de cobertura morta, as leguminosas beneficiam o solo e as plantas através da fixação de nitrogênio. Leguminosas como amendoim forrageiro (Arachis pintoi), desmódio (Desmodium ovalifolium), feijão de porco (Canavalia ensiformis) e mucuna (Stizolobium sp.) têm sido utilizadas com resultados satisfatórios nos cafezais em Rondônia.

Entre as gramíneas, o milheto (Pennisetum glaucum) é uma planta que se adapta bem em solo de baixa fertilidade e com déficit hídrico, tem alta capacidade de ciclagem de nutrientes, crescimento rápido e elevada produção de biomassa, além de apresentar resistência às principais pragas, reduzindo a população de nematóides como Meloidogyne incógnita e javanica, Pratylenchus brachyurus e Rotylenchulus reniformis. O milheto vem sendo usado com sucesso em cafezais do Espírito Santo e de Rondônia.

O capim braquiária é outra gramínea que pode ser usada no cafezal, através do cultivo e roço nas ruas do cafezal. A vantagem é a produção de grande quantidade de material vegetal. Além disso, o sistema radicular da braquiária é extremamente desenvolvido, o que ajuda na estruturação do solo, aumenta o teor de matéria orgânica e dificulta a erosão.

Alguns cuidados devem ser tomados no plantio intercalar com leguminosas ou gramíneas: manter o plantio intercalar a 1,0 m da linha do café, fazer o cultivo no período chuvoso e cortar as plantas no final do período chuvoso, dar preferência a plantas com porte baixo, de ciclo curto e que se adaptem a diferentes tipos de solo e manejos.

Outra prática importante é o manejo de plantas daninhas que, se bem manejadas, podem ser benéficas à lavoura por fazerem o sombreamento do solo, evitando a incidência direta dos raios solares, amenizando os efeitos da erosão na época das chuvas, aumentando o teor de matéria orgânica pela decomposição de raízes e partes aéreas. O controle deve ser feito antes do início do florescimento ou quando as invasoras atingem altura média de 15 a 20 cm, sempre mantendo a área das invasoras a 1,0 m da linha do café. Geralmente, esta prática é realizada através de uso da roçadeira que permite manter as plantas daninhas vegetando com porte baixo, evitando maior disseminação e contribuindo para a deposição de resíduos no solo.

Em um ensaio de controle de plantas daninhas em um cafezal, localizado em um solo de média a alta fertilidade na região de Ouro Preto do Oeste (RO), observou-se que o roço - apesar de haver maior ocorrência de plantas invasoras nas ruas do cafezal - não apresentou diferenças em relação aos tratamentos com casca de café, leguminosas e capinas química e manual, na avaliação da produtividade. Como as plantas daninhas são muito agressivas, deve-se tomar o máximo de cuidado com o manejo das mesmas em solos de baixa fertilidade, visando evitar a competição com o cafeeiro.

 

Aviso Legal
Para fins comerciais e/ou profissionais, em sendo citados os devidos créditos de autoria do material e do Jornal Dia de Campo como fonte original, com remissão para o site do veículo: www.diadecampo.com.br, não há objeção à reprodução total ou parcial de nossos conteúdos em qualquer tipo de mídia. A não observância integral desses critérios, todavia, implica na violação de direitos autorais, conforme Lei Nº 9610, de 19 de fevereiro de 1998, incorrendo em danos morais aos autores.
Ainda não existem comentários para esta matéria.
Para comentar
esta matéria
clique aqui
sem comentários

Conteúdos Relacionados à: Cafeicultura
Palavras-chave

 
11/03/2019
Expodireto Cotrijal 2019
Não-Me-Toque - RS
08/04/2019
Tecnoshow Comigo 2019
Rio Verde - GO
09/04/2019
Simpósio Nacional da Agricultura Digital
Piracicaba - SP
29/04/2019
Agrishow 2019
Ribeirão Preto - SP
14/05/2019
AgroBrasília - Feira Internacional dos Cerrados
Brasília - DF
15/05/2019
Expocafé 2019
Três Pontas - MG
16/07/2019
Minas Láctea 2019
Juiz de Fora


 
 
Palavra-chave
Busca Avançada