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     31/03/2026            
 
 
    

Há mais de três décadas que a atividade leiteira vem sendo impulsionada no sentido de se alcançar o mercado externo e ampliar a sua participação na comercialização de lácteos no Brasil. Tais objetivos vêm sendo atingidos por meio da modernização da economia, abertura à concorrência externa, aumento dos investimentos na agroindústria, atualização da legislação e reorganização do sistema produtivo no sentido de torná-lo competitivo e preparado para enfrentar a concorrência a partir de ações operacionais.

No que se referem aos parâmetros alimentares as vacas leiteiras merecem uma atenção especial pelas alterações que ocorrem no seu sistema orgânico na fase produtiva, com mudanças nas suas necessidades energéticas e nutricionais que interferem no metabolismo e exigem cuidados especiais para as fêmeas afetadas pelo desequilíbrio alimento versus fisiologia animal.

A compreensão e o cuidado que se tem com as doenças do periparto, período de três semanas antes e depois do parto, podem influenciar na produtividade e nos ganhos produzidos pela propriedade leiteira. O parto e o início da lactação impõem enormes desafios fisiológicos aos mecanismos de homeostase - o consumo de energia necessário para manter o equilíbrio dinâmico da vaca. Grandes perdas podem ocorrer nos rebanhos, principalmente aqueles com vacas especializadas, quando esse período não é acompanhado por um manejo alimentar adequado à produtividade e quando as mudanças fisiológicas individuais são mais pronunciadas. Nesse período a vaca de leite está no momento mais complexo de sua vida produtiva do ponto de vista nutricional.

As inovações observadas no que se refere ao manejo alimentar da vaca leiteira visam atender às exigências nutricionais dos diferentes estágios de produção, prevenindo a escassez ou o excesso de nutrientes, a fim de evitar, principalmente, perdas econômicas decorrentes da queda de produção. Entretanto, de modo geral, a falta de conhecimento conduz a erros de manejo nutricional em um período crítico conhecido como período de transição. O período de transição é caracterizado por marcantes mudanças no perfil endócrino do animal que são muito mais expressivas do que qualquer outra durante a fase da lactação e gestação, onde há principalmente uma modificação na ingestão de alimentos, quanto ao volume e tipo de dieta, e quanto a demanda por nutrientes, que se encontra elevada. As vacas leiteiras apresentam uma fase de imunossupressão associada a estas mudanças abruptas da dieta. Além dos transtornos metabólico, endócrino e imunológico podem-se incluir os fatores relacionados ao estresse do ambiente em que as vacas são submetidas entre o período seco e a lactação.

As práticas de alimentação e manejo usadas nas últimas semanas de gestação afetam profundamente a incidência de doenças no início do período de lactação. Quando esses efeitos são combinados não é de surpreender que o período de maior risco para o surgimento de doenças relacionadas à produção seja imediatamente após o parto.

Entre as doenças metabólicas, a hipocalcemia, também chamada de febre vitular, febre do leite ou paresia puerperal e a cetose são as que ocorrem com maior frequência no gado leiteiro. Algumas doenças metabólicas são mais interligadas e estão presentes de forma expressiva na medida em que os rebanhos alcançam patamares mais elevados de produtividade, em geral acima dos 30 litros por vaca ao dia. Além da febre do leite e da cetose, podem ser consideradas também: a síndrome da vaca gorda; a tetania da alimentação; o edema do úbere; a síndrome da vaca deitada e o deslocamento do abomaso.

A fêmea no pré e pós-parto apresenta o apetite deprimido em função das elevadas concentrações hormonais e também em função da redução do espaço disponível no abdômen e do estresse ocasionado pelo próprio estágio de gestação e pelo começo da produção de leite. Assim, a demanda elevada, principalmente de energia e o consumo irregular de alimentos, levam à fêmea a um balanço energético negativo. O fornecimento de alimentação rica em concentrados como forma de sair do balanço negativo favorece a formação do ácido lático e a ocorrência de outros fenômenos no rúmen, podendo provocar o aparecimento de doenças metabólicas. Por outro lado, há elevada necessidade de cálcio devido à formação do tecido ósseo do feto e da produção de leite. Isto pode causar hipocalcemia em animais que não conseguem se adaptar a esta súbita demanda por meio da reabsorção de cálcio dos próprios ossos.

A especialização da pecuária de leite deve ser acompanhada por um planejamento do sistema produtivo capaz de mitigar todos os fatores que aumentam os riscos dos transtornos metabólicos. As práticas de manejo, principalmente aquelas voltadas para dieta alimentar equilibrada no periparto, favorecem a diminuição dos problemas metabólicos e consequente melhoria dos processos reprodutivos e produtivos.

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