
O plantio da safra das águas se aproxima e o essencial neste momento do ano é o planejamento, com a finalidade de estabelecer um cronograma de atividades, para que o produtor possa realizar o plantio de forma eficiente e reduzir os riscos.
O agricultor deverá estar atento, pois ainda que ele utilize a mesma cultivar plantada no ano anterior, a semente pode variar seu formato, exigindo uma nova regulagem da plantadeira e uma escolha criteriosa do disco e do anel (liso para sementes chatas ou com friso ou rebaixado para sementes arredondadas) de acordo com a semente a ser plantada, evitando plantio com sementes duplas ou a ocorrência de falhas. Esse é um dos principais problemas para os pequenos produtores que não dispõem de plantadeira própria e necessitam de serviço de terceiros para a realização do seu plantio.
A regulagem final da plantadeira deve ser sempre realizada no local de plantio e não nos galpões ou nos carreadores/estradas. Deve-se considerar também que, para cada cultivar plantada, existe uma faixa de população de plantas recomendadas. Dessa forma, se desejar plantar mais de uma cultivar, a regulagem da plantadeira deverá ser repetida e apropriada a cada tipo de semente utilizada.
A profundidade de plantio é outro ponto importante. Deve ser a mais uniforme possível, permitindo a emergência de todas as plantas ao mesmo tempo e evitando o surgimento de “plantas dominadas” que comumente não produzem espiga, mas que competem com as demais por água, luz e nutrientes. A profundidade de plantio deverá variar com as condições de clima e de solo, podendo ser menor em situações que dificultam a emergência das plantas. Por outro lado, quando as condições forem favoráveis à germinação e à emergência, o plantio poderá ser mais profundo, beneficiando-se de melhores condições de umidade do solo. Sementes rasas ou fundas demais ou, ainda, muito próximas ao adubo podem prejudicar a germinação e a emergência. O adubo deverá ser colocado a uma distância aproximada de 5 cm ao lado e abaixo da semente.
Como diz o provérbio: “é o olho do dono que engorda o boi”. Assim é muito importante o agricultor acompanhar toda a execução do plantio, cavando o solo, na linha de plantio, para verificar a quantidade de sementes distribuídas por metro e a sua profundidade.
Tem sido comum a ocorrência de pragas de solo nos estágios iniciais do desenvolvimento das plantas. Dessa forma, hoje é bastante recomendado o tratamento de sementes com inseticidas. A escolha do produto a ser utilizado vai depender das espécies de pragas comuns na região. Quando realizar o tratamento na propriedade o produtor deverá tomar os cuidados necessários de proteção à sua saúde ao manusear esses produtos, utilizando todos os equipamentos de proteção individual (EPIs). O plantio deverá ser realizado o mais rápido possível e logo após o tratamento das sementes, evitando dessa forma possíveis danos na sua germinação e vigor.
A alteração da rugosidade da superfície das sementes, que ocorre após o tratamento químico, afeta o desempenho na plantadeira pela dificuldade de movimentação no depósito e também nos sistemas distribuidores (discos ou dedos prensores). Uma maneira de contornar esse problema de escoamento pode ser o uso de uma substância inerte lubrificante, como o grafite, alternativa que diminui tanto o coeficiente de atrito entre as sementes como destas com a parede do reservatório. A dose de grafite indicada para uso no depósito é de, no mínimo, 4 gramas por quilo de sementes. Em termos práticos, recomenda-se uma colher de sopa de grafite para cada compartimento de sementes quando abastecer.
Outro aspecto importante para a qualidade do plantio é a velocidade de semeadura. Nas plantadeiras a disco a velocidade requerida está em torno de 5 quilômetros por hora, sob pena de comprometer a densidade de plantio e a uniformidade na distribuição das sementes e, consequentemente, a produtividade da lavoura.
A semeadura do milho na época apropriada, ainda que não tenha nenhum efeito no custo de produção, afeta consideravelmente o rendimento e, consequentemente, o lucro do agricultor. O atraso na época de plantio normalmente dificulta outras operações agrícolas, em especial o controle de plantas daninhas e de pragas, e geralmente aumenta a altura das plantas. Além disso, as doenças geralmente causam maiores prejuízos nos plantios tardios, pois a infestação ocorre em plantas mais jovens.
No Brasil o zoneamento agrícola de risco climático (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) fornece informações sobre as épocas de plantio de milho com menores riscos para cada região. Essas informações também podem ser obtidas nas agências bancárias que trabalham com crédito rural.
Se levar em consideração todos esses aspectos, o produtor poderá assegurar o próximo plantio, com maiores chances de obter boa produtividade e alcançar maiores níveis de rentabilidade.
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