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     31/03/2026            
 
 
    

A base alimentar do rebanho bovino brasileiro é a forragem oriunda da grande área coberta com pastagens, o que representa uma vantagem competitiva para os produtores nacionais. Contudo, grande parte das áreas cobertas com pastagem, em nosso país, apresenta-se com produtividade abaixo do seu potencial, fato esse denominado de pastagens degradadas ou em degradação. Vários fatores estão elencados como causadores desse processo, sendo a “raiz” dessas causas quase sempre a mesma: a gestão ineficiente, seja por desconhecimento ou por negligência na condução da atividade. Fato é que, quando se decide implantar em uma área uma pastagem, deve-se ter consciência da importância dessa ação para o sucesso da atividade, pois uma área com pastagem bem implantada é sinônimo de boa produtividade de forragem, que pode ser seguida de boa produtividade animal, se o manejo subsequente da área, com a pastagem estabelecida, for adequado.

Para a implantação de uma área com pastagem, muitos pontos devem ser considerados, ou seja, levantados e analisados, para que decisões adequadas sejam feitas e, assim sendo, conduzam a uma boa produtividade de forragem na área, no menor período de tempo possível, sendo esse um bom indicador para mensurar a eficiência da implantação de uma pastagem. A caracterização detalhada da área onde pretende-se implantar a pastagem, os objetivos a serem atingidos com a mesma e os recursos disponíveis para se fazer a implantação da pastagem são fatores muitas vezes desprezados e, assim sendo, invariavelmente, conduzem a resultados bem abaixo do potencial. Cabe ressaltar a importância de possuir todas essas informações com uma antecedência adequada, para possibilitar o planejamento e a execução das atividades subsequentes do processo. Por exemplo, é recomendado, em muitas situações, que o preparo do solo seja feito com uma antecedência de aproximadamente seis meses; portanto, nota-se a importância do planejamento temporal de todas as ações ligadas ao processo.

As informações provenientes dos pontos acima levantados devem ser usadas para a escolha do material forrageiro, a recomendação de calagem e adubação, a escolha das práticas conservacionistas e o preparo do solo da área.

Com o solo preparado e corrigido para o material forrageiro escolhido, semeia-se ou planta-se a área. Nesse momento, fatores como a qualidade das sementes ou mudas, a época e a profundidade de semeio ou plantio são cruciais. A densidade de semeadura ou plantio está relacionada com os fatores acima mencionados, com o método do semeio ou plantio (a lanço ou em linha, aéreo ou terrestre), com o potencial de competição de plantas daninhas, com o grau de preparo do solo e, até mesmo, com a compactação ou não do solo após o semeio/plantio, que proporciona maior viabilidade às sementes e mudas, principalmente em solos de textura média e arenosa (teor de argila inferior a 35%).

Comprar sementes ou mudas de qualidade baixa ou semear e plantar com densidades abaixo do adequado para uma determinada situação são erros comuns e que penalizarão a produtividade da área. Esse tipo de erro é justificado, por muitos pecuaristas, pensando na economia que sementes/mudas sem qualidade e baixas densidades de semeio/plantio trazem. Pensar assim é desconhecer totalmente o processo já que, primeiramente, deve-se saber que as sementes e as mudas, em geral, representam somente cerca de 10% do valor gasto/investido para implantar uma pastagem e, na sequência, esse erro implicará num pior retorno econômico ao capital investido.

Se o planejamento e a execução das etapas até aqui vistas foram bem conduzidas, há enormes chances de obter boa produtividade de forragem na área, em tempo relativamente curto. Porém, é fundamental que o pecuarista fique atento ao aparecimento de microrganismos (doenças), insetos (lagartas e cigarrinhas, principalmente) e plantas daninhas para, se pertinente, fazer o controle no momento correto.

Decorrido algum tempo após o semeio ou plantio, a área estará pronta para sua primeira utilização, que, se feita por animais, é denominada de “primeiro pastejo”. Esse tempo entre o semeio ou plantio e o primeiro pastejo varia com diversos fatores, entre os quais destacam-se: o material forrageiro semeado ou plantado; a fertilidade do solo; e as condições climáticas. Atraso ou antecipação causam prejuízos; portanto, acertar no momento de entrada dos animais é fundamental e, além disso, o modo como o primeiro pastejo será executado também trará impactos para a pastagem em implantação. Dito de modo bastante geral, o primeiro pastejo deve ser feito tão logo as plantas estejam bem fixadas ao solo, o que geralmente ocorre antes das mesmas florescerem. Deve-se usar uma quantidade de animais que possibilite a remoção da parte superior de todas as plantas que compõem a pastagem, no menor tempo e com a maior uniformidade possíveis. Em áreas grandes, cercas, mesmo que temporárias, auxiliam a atingir o objetivo.

Após o primeiro pastejo, retiram-se os animais e procede-se à adubação de cobertura, conforme planejado. Feito isso, depois de 15 a 25 dias, de modo geral, a pastagem está implantada e pronta para o uso. Todas as práticas relacionadas ao uso dessa pastagem fazem parte do manejo da mesma e, claro, também são fundamentais para alcançar bons resultados técnicos e econômicos.

Conclui-se que uma boa implantação de pastagem é fator primordial para o sucesso de atividades de produção de carne e leite bovino. E esse objetivo somente será atingido se houver pessoas capacitadas e experientes para planejar e conduzir o processo de implantação.

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