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     30/10/2020            
 
 
    
Meio Ambiente    
Impacto ambiental do cultivo de eucalipto no Vale do Rio Paraíba do Sul, SP
Informações obtidas a partir de estudos desmistificam, em parte, o preconceito de que o cultivo do eucalipto causa impacto negativo no solo e na água
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Marco Antonio Ferreira Gomes e Lauro Charlet Pereira, pesquisadores da Embrapa Meio Ambeinte
30/11/2016

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O cultivo do eucalipto, também conhecido por eucaliptocultura, foi introduzido no país de forma mais intensa pela Companhia Paulista de Estrada de Ferro em 1903 para suprir as suas demandas.

Na região do Vale do Rio Paraíba no Estado de São Paulo, o cultivo do eucalipto remonta a várias décadas, com o propósito de atender à demanda da produção de papel e celulose, tendo à frente a Empresa Fíbria S.A. Por se tratar de uma região com predomínio de relevo acidentado, tipicamente ondulado a forte ondulado e solos relativamente rasos, a exemplos dos Cambissolos, seu manejo necessita de atenção especial para evitar perdas que possam comprometer a sustentabilidade do sistema ora em questão. A região de estudo está localizada em área de Mata Atlântica no município de Igaratá/SP e apresenta altíssimo grau de biodiversidade e endemismo, motivo pelo qual merece atenção especial quanto ao seu uso e ocupação e aos impactos negativos porventura gerados. Insere-se na região fisiográfica do Vale do Paraíba e situa-se entre os dois maiores centros urbanos do país, São Paulo e Rio de Janeiro. A ocupação da região ocorreu mais intensamente em meados do século XIX, com a derrubada de vastas regiões de floresta nativa para o plantio do café, importante vetor de ocupação desde aquela época até meados do século XX.

Localmente, na microbacia da Fazenda Santa Marta, onde o presente trabalho foi realizado, observam-se grandes plantações de eucalipto em substituição ao bioma original, intercalados por porções de mata nativa e pastagem. Cerca de 70% da área é ocupada por eucalipto, sendo o restante distribuído entre mata (20%) e pastagem (10%).

Nesse contexto, o presente trabalho avalia perdas de solo a partir de um Cambisso existente na microbacia da Fazenda Santa Marta, com valores de declividades relativamente próximos, sob as coberturas de eucalipto, mata nativa e pastagem. Essas perdas são comparadas em função da cobertura e analisadas quanto à sustentabilidade dos sistemas implantados, com destaque para a eucaliptocultura.

Área selecionada para estudo com três tipos de cobertura vegetal – eucalipto, pastagem e mata nativa
A área de estudo consiste na microbacia da Fazenda Santa Marta no município de Igaratá, localizado a sudeste do estado de SP na microrregião de São José dos Campos, com altitudes que variam entre 300 e 100 metros. O solo da propriedade é do tipo Cambissolo, com textura argilosa.

A microbacia estudada possui uma área de drenagem de 150 ha, sendo 92 ha de plantio de eucalipto e o restante dividido entre áreas de preservação (mata nativa) e pastagens. Dentro da microbacia foram selecionados três locais representativos das três coberturas (eucalipto, mata nativa e pastagem) sob solo do tipo Cambissolo e com declividades não muito distintas, ou seja, 10 %; 6% e 8% respectivamente, de acordo com a Figura 1. 
 
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Figura 1. Localização dos pontos de amostragem de água e sedimento em microbacia da Fazenda Santa Marta.

Implantação dos experimentos e realização dos trabalhos
O esquema experimental utilizado foi em parcelas de 1 m2 (calhas tipo Gerlach), com três repetições (P1, P2 e P3) por cobertura (eucalipto - Eucalyptus grandis, mata nativa e pastagem - Brachiaria brizantha, Bb).

A avaliação temporal de perdas de solo (sedimento) e água contemplou o período de 11 meses, com início em outubro de 2015, considerando que nos meses de julho, agosto e setembro de 2016 as chuvas foram insignificantes ou próximas de 0 mm.

As coletas de água e sedimento obedeceram aos eventos de chuva, com amostragens/coletas imediatamente após cada evento, com os volumes coletados em bombonas com capacidade máxima de 50 litros. O volume coletado foi quantificado em mililitros e o sedimento quantificado em gramas; o volume de chuva precipitado foi convertido em m3/ha, sendo que as estimativas de perda foram calculadas a partir do volume total escoado e armazenado nas bombonas.

Considerações finais
As avaliações de campo ao longo de 11 meses mostraram que o cultivo de eucalipto na área estudada apresenta menor impacto no ambiente quanto à perda de solos e de água, quando comparado com a mata nativa e a pastagem, o que lhe confere uma condição de cultivo e de prática de manejo direcionada para a sustentabilidade na microbacia experimental estudada.

Essas informações desmistificam, em parte, o preconceito de que o cultivo do eucalipto causa impacto negativo no solo e na água.

Análises complementares em andamento como condutividade hidráulica e estabilidade de agregados do solo contribuirão para uma compreensão mais ampla do problema ora abordado.

Referências
EMBRAPA. EMPRESA BARSILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Brasília: Embrapa Produção de Informação; Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 1999. 412p.
FIBRIA. Relatório de Sustentabilidade. 2012. 64p.

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Alessandro
30/11/2016 - 20:26
Não ficou claro pra mim quem realizou esse estudo.

Foram os pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, Marco Gomes e Lauro Pereira ?

Marco Antonio Ferreira Gomes
14/12/2016 - 10:46
Prezado Alessandro,
O trabalho foi realizado pelos pesquisadores Marco Gomes e Lauro Charlet da Embrapa Meio Ambiente, em parceria com a empresa Fíbria (Papel e Celulose). Como o trabalho foi bem resumido para esta modalidade de "artigo de divulgação na mídia", acabou não ficando evidente a autoria; porém, ela está implícita nas abordagens sobre "Implantação dos experimentos e realização dos trabalhos" e mesmo nas "Considerações finais".
Agradecemos pelo contato e pela observação.
Atenciosamente,

Marco Gomes
Lauro Charlet

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