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Kamila Pitombeira
03/05/2011
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Desenvolvida em pequenas propriedades e caracterizada, muitas vezes, como agricultura familiar, a cafeicultura de montanha conta com algumas características específicas que a diferenciam das demais culturas cafeeiras. Uma delas é a difícil adaptabilidade para o uso de máquinas, já que os terrenos são declivosos.
Para amenizar a dificuldade desse tipo de produção a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) desenvolveu a cultivar Paraíso, que conta com boa resistência à ferrugem, uma das principais doenças do café, e ao nematóide. A cultivar foi apresentada no Dia de Campo Cafeicultura de Montanha, que aconteceu dia 14 de abril, no município de Machado (MG).
— A cafeicultura de montanha é caracterizada por terrenos declivosos. Por isso, muitas propriedades são pequenas e o manejo é feito com mão-de-obra familiar, salvo na época da colheita, que geralmente conta com um adicional de contratação. Além disso, essa cafeicultura apresenta dificuldades de manejo — afirma César Botelho, pesquisador da Epamig.
Segundo ele, a cultivar Paraíso é resistente à ferrugem, o que facilita bastante o manejo. Por isso, ela é indicada para a cafeicultura de montanha.
— Isso facilita na hora das aplicações foliares com defensivos, que são bastante complicadas em terrenos montanhosos, pois devem ser manuais — diz o pesquisador.
Ele conta ainda que a cultivar tem um tamanho bem reduzido e que, devido à esse tamanho, pode ser plantada com menos distanciamento, o que melhora o aproveitamento da área. De acordo com ele, a cultivar também tem mostrado boa produtividade, algumas vezes acima das tradicionais, nos trabalhos desenvolvidos pela Epamig em várias regiões do estado.
— Alguns trabalhos recentes também têm mostrado resistência ao nematóide, outra doença importante para a cafeicultura do estado de Minas Gerais. Com isso, ela é indicada também para os produtores que desejam fazer renovação de área — explica Botelho.
Ele afirma também que os climas mais altos costumam ter temperaturas mais amenas, mas que essa cultivar apresenta bom desempenho nessas condições. A exemplo, ele cita a fazenda experimental de Machado, uma região com a média de temperatura anual abaixo de 18°C, onde a cultivar mostrou bons resultados.
— Por outro lado, ela também tem ido bem em regiões de temperaturas superiores. Como exemplo, temos a fazenda de São Sebastião do Vale do Paraíso, que apresenta temperatura média anual de quase 19°C — conta.
Mas o pesquisador chama atenção para os cuidados na hora do plantio, feito com mudas. Para ele, o produtor deve usar sementes certificadas, compradas de instituições idôneas, para que tenha certeza da pureza genética do material. Além disso, ele afirma que o plantio deve ser bem feito, com uma boa correção de solo, baseada em uma boa análise e boa adubação.
— Já durante a condução da lavoura, deve ser feita uma adubação baseada na análise de solo e, se possível, deve-se fazer uso de matéria orgânica — orienta.
Para mais informações, basta entrar em contato com a Epamig através do número (31) 3489-5000.
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