
A água é o componente mais importante do corpo, constituindo mais de 50% do seu peso. Alguns tecidos têm quase 90% de água. Além de ter funções importantes no organismo, é o nutriente requerido em maior quantidade. Atua como lubrificante, na dissipação de calor, no transporte de nutrientes e na diluição de toxinas, sendo o meio onde ocorre a maioria dos processos metabólicos do organismo.
É inequívoca a exigência dos animais pela água. Considere, por exemplo, um bezerro com quatro semanas de idade alimentado com 4 kg de leite por dia (com 88% de água em sua composição) e 500 g de concentrado inicial (com 10% de água em sua composição). Do leite, o bezerro deverá ingerir mais 3.580 g de água, e do concentrado, 50 g. Assim, o consumo de alimentos deste bezerro será de 4.500 g (4.000 + 500). Deste total, 79% são água (3.580 + 50/4.500).
O organismo do bezerro se utiliza de água de diferentes origens. Além da água chamada de “livre” que o bezerro obtém no bebedouro, existe a água contida nos alimentos, leite, sucedâneos comerciais, concentrados (milho, farelo de soja etc.) e volumosos (pasto, fenos, silagens etc.), além daquela produzida como subproduto resultante das reações de oxidação dos nutrientes no organismo.
Uma importante fase do desenvolvimento do bezerro é a sua passagem de monogástrico para ruminante, o que permitirá seu desaleitamento. Para que isto ocorra, faz-se necessário o desenvolvimento do rúmen, obtido pela sua capacidade de fermentar os alimentos concentrados e volumosos. Neste processo de fermentação são produzidos os ácidos graxos voláteis que promovem significativas mudanças no tamanho e na atividade do rúmen, preparando o animal para o desaleitamento. Se o bezerro não estiver consumindo quantidades crescentes desses alimentos sólidos, principalmente concentrado, nas primeiras seis semanas de idade, o desaleitamento será retardado. As bactérias são as responsáveis pela fermentação dos alimentos sólidos no rúmen. Estas bactérias precisam de um ambiente aquoso para sobreviver. Sem água suficiente, estas bactérias não crescerão e o desenvolvimento do rúmen será prejudicado. Como concluído por KHALILI e colaboradores (1992)1, a diferença entre o teor de matéria seca do concentrado (aproximadamente 90%) e a matéria seca do conteúdo ruminal (aproximadamente 25%) precisa ser coberta pela ingestão de água. Assim, o consumo de água está positiva e altamente correlacionado com o consumo de concentrado. Importante salientar que a maior quantidade de água que entra no rúmen dos bezerros nas primeiras semanas de idade é a “água livre”, obtida em bebedouros ou baldes. Se a água for oferecida à vontade, o bezerro, além de saciar sua sede, estará disponibilizando água para as bactérias no rúmen. Infelizmente, há produtores que ainda não fornecem água a seus bezerros antes do primeiro mês de idade.
A água contida no leite e no preparo de sucedâneos comerciais não se constitui em “água livre”. Quando o leite, ou sucedâneo comercial do leite, é ingerido pelo bezerro, ocorre o fechamento da goteira esofageana, que direciona esses alimentos para o abomaso, sem passar pelo rúmen. Esta goteira se forma em reposta a estímulo nervoso, sendo ativa nos bezerros até as 12 semanas de idade. Considerando a importância da água para os bezerros, ela deve estar sempre disponível, oferecida, à vontade, a partir do segundo dia de idade.
As exigências de água pelos bezerros ainda não estão bem estabelecidas, mas reconhece-se que ela depende da dieta, da temperatura e da umidade ambiente, além de outros fatores. Segundo o NRC (2001)2, o consumo de água aumenta de 1,0 kg/dia durante a primeira semana de idade até 2,5 kg/dia durante a quarta semana de idade, com a maior parte do aumento ocorrendo na quarta semana.
A qualidade da água fornecida também é importante porque ela pode afetar o desenvolvimento e a saúde dos animais. Por este motivo, deve ser avaliada regularmente quanto à composição em minerais, bactérias e pesticidas.
O bezerro elimina água pelas fezes, urina, suor e respiração. Durante o processo de desenvolvimento do rúmen, o volume fecal aumenta, com maior teor de água. As perdas pela urina são muito variáveis e dependem da regulação do balanço de água no organismo, realizado pelos rins. A perda de água pelo suor normalmente não é significativa, exceto em condições de clima quente. O ar expirado pelo bezerro é saturado de água e constitui uma via importante de eliminação de água.
O balanço de água no organismo do bezerro é mediado pelos rins, como mencionado. Contudo, quando o bezerro está com diarréia, a água perdida pelo corpo aumenta drasticamente. Neste caso, a secreção de água no intestino é muitas vezes maior que o volume total de plasma do animal. Se a reabsorção de água é prejudicada, ocorrerá o aumento de água perdida pelas fezes com a conseqüente desidratação do animal. Quando o nível de desidratação atinge a 10%, advém a anorexia e, algumas vezes, a comatose. A morte normalmente ocorre com 14% de desidratação (QUIGLEY, 1997)3.
O fornecimento de água em locais onde a temperatura ambiente cai abaixo de 0 °C, comum em algumas regiões no sul do país, é um desafio para os produtores. Nestas condições de baixa temperatura ambiente, o fornecimento de água adquire importância no int
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