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Uma tecnologia inédita de aproveitamento do suco de sisal pode gerar novas opções de inseticidas e carrapaticidas aos produtores de todo o Brasil. A cultura do sisal está presente em cinco Estados e cerca de 80 municípios do Semiárido nordestino. Atualmente, o principal produto gerado é a fibra retirada do tecido parenquimentoso, que representa 15% da planta. O suco ou seiva, que corresponde a 80% do sisal, é desperdiçado. Apesar de não ser aproveitado, o suco tem compostos que causam toxicidade e podem ser utilizados no combate a lagartas, insetos e carrapatos. Com o objetivo de potencializar o uso do suco e agregar valor ao produto, a Embrapa, em parceria com outras entidades, desenvolve uma série de estudos.

O desperdício da seiva do sisal acontece durante a operação pós-colheita. O desfibramento da planta é realizado por meio de uma máquina chamada “motor de agave” ou “máquina paraibana” que, além de desperdiçar de 20% a 30% da fibra, gera um resíduo com o suco que normalmente é despejado no campo. O objetivo da Embrapa é reverter o desperdício gerado por esse processo e agregar valor ao produto.
— O que pretendemos é trabalhar na agregação desse suco e no aproveitamento dele para outras utilizações. O suco de sisal tem vários compontentes orgânicos, como pectina, saponina, epogenina e cera, além de outros compostos, que podem causar toxidade, irritação e até morte de lagartas e insetos que atacam culturas — explica Odilon Reny, chefe de Comunicação e Negócios da Embrapa Algodão.
Atualmente, as pesquisas estão no estágio de viabilização do suco. Por conta dos componentes ácidos e orgânicos, quando se faz o desfibramento da folha a seiva se degrada rapidamente. Por isso, o objetivo dos estudos é estabilizar o suco transformando-o em uma forma aquosa, liquefeita, que posteriormente será misturada a outros componentes e aplicado contra as pragas. Inicialmente, o inseticida será testado com lagartas das culturas do algodão e da soja.
O trabalho é realizado em parceria com a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a Secretaria de Ciência e Tecnologia da Bahia, e o Sindifibras. A expectativa é dentro de seis meses a um ano haja resultados positivos na estabilização do suco. Após essa etapa, o próximo passo serão os experimentos de campo com a aplicação do produto na forma líquida.
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