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Kamila Pitombeira
22/03/2011
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Responsáveis por perdas de até 30% da produção, as pragas dos cachos em videiras, muitas vezes, são confundidas com doenças. Para tentar detectar a presença da praga antes que ela ataque os vinhedos, a Embrapa Uva e Vinho e a Embrapa Semiárido desenvolveram estratégias para o monitoramento e controle do problema. As medidas foram apresentadas no Show Tecnológico Rural do Oeste Catarinense (Tecnoeste), que aconteceu entre os dias 23 e 25 de fevereiro, na cidade de Concórdia (SC).
A praga consiste em uma pequena lagarta que se aloja no interior dos cachos das uvas. Ao roer as bagas, ela extravasa o suco, o que faz com que ocorram podridões. Para verificar a ocorrência do problema, os produtores devem fazer pequenas aberturas nos cachos e checar a presença de pequenas lagartas marrons no interior deles.
O doutor em entomologia e pesquisador da Embrapa Uva e Vinho Marcos Botton, em parceria com o Doutor José Eudes de Morais, da Embrapa Semiárido, apresentou, como melhores estratégias, o uso de feromônios e armadilhas para o monitoramento da plantação.
– Para o monitoramento, é utilizado o feromônio sexual e é colocada uma armadilha no interior do vinhedo. Com essa armadilha, o produtor sabe quando as mariposas estão presentes no pomar. Assim, ele pode tomar as medidas de controle – explica Marcos.
O pesquisador diz que, quando o produtor nota a presença da lagarta, originária de uma pequena mariposa que coloca os ovos nos cachos, ela já está no interior dos cachos causando danos. Ele afirma ainda que, depois que a lagarta já está instalada no interior das videiras, não há sucesso ao realizar qualquer tipo de tratamento.
– A recomendação é que, quem já sabe que historicamente tem problemas com a praga dos cachos, deve usar armadilha e monitorar. Quando a população das mariposas começa a aumentar, é o momento de fazer o controle. E, para isso, já existem produtos autorizados – orienta.
O custo para o monitoramento das mariposas não é alto. Segundo Botton, as armadilhas giram em torno de dez reais. Já cada septo de feromônio, que deve ser reposto a cada 30 dias, varia em torno de quatro ou cinco reais.
– Nós estiamos que, para cada ciclo de produção da videira, o produtor gaste de R$ 40 a R$ 50 para monitorar a praga – diz.
Algumas manifestações da praga têm aparecido nas regiões sul e nordeste do Brasil, em plantações de uva de mesa. De acordo com Botton, os danos têm sido observados, principalmente, no período da colheita de uva destinada ao processamento.
– Existem regiões onde a perda de produção chega a 30%. Em outras, os danos ficam na faixa de 5% a 10%. Já em algumas áreas, essa infestação não existe – conta o doutor.
Para mais informações sobre a praga dos cachos em videiras, basta entrar em contato com a Embrapa Uva e Vinho através do número (54) 3455-8000.

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