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Soja    
Informação é importante aliado contra a ferrugem
Aumento de custos no combate à doença força produtor a ficar atento às informações nas redes antiferrugem e evitar perdas
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Juliana Royo
20/01/2012

A ferrugem asiática tem sido, há 10 anos, um dos maiores pesadelos dos produtores de soja no Brasil. A doença se instalou nas lavouras e chega a provocar perdas de até 100%. Nos últimos anos, principalmente depois da criação das variedades inox, as perdas têm sido pequenas, mas não porque a ferrugem tenha diminuído e sim porque os produtores estão mais atentos. Os custos para o controle da doença na safra 2010/2011 ultrapassaram US$1 bilhão e, desde 2002, chegam aos US$ 20 bilhões. Os dados são de um dos maiores especialistas em doença da soja no Brasil, o fitopatologista José Tadashi, que trabalhou mais de 30 anos na Embrapa e agora integra a equipe da Fundação Mato Grosso.

Em entrevista exclusiva ao Portal Dia de Campo, Tadashi alerta que é necessário manter os cuidados com a ferrugem, principalmente no Cerrado, prevê muita chuva para fevereiro e março, o que vai prejudicar o milho safrinha, e diz que nesta safra, mesmo com a estiagem no Sul, os gastos com a proteção da lavoura baterão novo recorde. O que o produtor precisa fazer, segundo ele, é escolher produtos de qualidade, continuar monitorando a lavoura e procurar a orientação de um técnico.

Portal Dia de Campo - Quais são os prejuízos que a ferrugem pode causar à lavoura de soja?
José Tadashi -
Para mostrar a importância desse problema, eu tenho feito um levantamento estatístico sobre o impacto da ferrugem, desde 2002. O custo chega a quase US$ 20 bilhões. E na safra passada 2010/2011, nós não tivemos tanta perda ao nível de lavoura, mas tivemos um custo que foi o mais alto desde 2002, passou de US$ 1 bilhão, somando o custo de controle mais a perda direta do produtor que foi pequena.

Portal Dia de Campo - Em que região do país a ferrugem tem atacado com mais violência nessa safra?
José Tadashi -
Nesta safra nós já tivemos a ocorrência em alguns municípios, inclusive no Cerrado. O primeiro foco constatado foi na região de Cristalina (GO). No Paraná, onde temos observado maior ocorrência, o que segurou a ferrugem em dezembro foram as poucas chuvas na Região Sul, principalmente. Esse ano a perda será mais por falta de chuva do que por ferrugem, mas os produtores deverão gastar bastante no controle, como medida preventiva. Se observarem o mapa de ocorrência de chuva nesse momento (dezembro), por conta da La Niña, nós temos uma faixa de ocorrência de chuva, que vem da região amazônica, cortando o Brasil como se fosse uma faixa presidencial, de Noroeste a Sudeste. Quem estiver produzindo soja nessa faixa pode ter risco de ferrugem. Por outro lado, quem fica à sudoeste dessa faixa, passa por um período de estiagem com problemas de muita seca. Então, o risco de ferrugem é muito pequena.

Portal Dia de Campo - Em que condições a ferrugem ataca com mais facilidade?
Tadashi -
Em condições de umidade e chuva. Uma chamada de atenção é para a Região dos Cerrados, devido à altitude acima dos 600 m, nós temos condições de orvalho durante a noite, que é condição suficiente para a ocorrência da doença.

Portal Dia de Campo - As lavouras atacadas estão tendo perdas de produtividade que chegam a quanto?
Tadashi -
Historicamente no Brasil, desde 2002, nós temos tido perdas de até 100%. Isso, hoje, não ocorre mais porque os produtores aplicam fungicida. Em condições favoráveis, sempre vai haver alguma perda de rendimento, além dos custos para o controle.

Portal Dia de Campo - Houve avanços, em relação aos últimos anos, no controle da ferrugem? O produtor tem mais ferramentas agora?
Tadashi -
Ao longo do tempo nós tivemos a evolução de populações (que não é mutação) que eram tolerantes aos fungicidas triazóis. Tinha uma gama bastante ampla de princípios ativos, mas que hoje praticamente não têm mais eficácia. Então, no momento, sobram quatro misturas de fungicidas chamados estrobirulinas mais um triazol, que é o que está dando conta da ferrugem.  Por outro lado, tivemos muito avanço na melhoria da qualidade das lavouras devido à vistoria que os agricultores estão fazendo, resolvendo vários problemas de stande, de plantio, melhoramento do solo, introduzindo novas variedades mais precoces.  Tivemos um avanço muito grande em termos de tecnologia de aplicação e momento da aplicação.

Portal Dia de Campo - Além do controle químico, que outras medidas os produtores devem adotar para controlar a ferrugem?
Tadashi -
Uma tecnologia inédita no mundo, que no momento só existe no Brasil, é o lançamento de variedades chamadas inox, que são resistentes à ferrugem. Essas variedades sofrem um certo nível de dano quando a lavoura é negligenciada, mas geralmente esse dano é insignificante. As variedades inox impedem que o fungo se multiplique e combatem a geração do fungo dentro da própria lavoura, facilitando muito o controle. É necessário aplicar o fungicida mesmo com essas variedades, mas a aplicação pode ser feita com muito mais tranquilidade.

Portal Dia de Campo - A soja inox já está disponível para produtores de todo o país?
Tadashi -
Hoje nós já temos variedades denominadas TMG, de diferentes ciclos, entre precoces e médias, disponíveis na Região Sul (Paraná e Rio Grande do Sul) e no Cerrado (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás).

Portal Dia de Campo - O senhor gostaria de fazer mais alguma recomendação?
Tadashi -
Eu gostaria de pedir para os produtores acessarem a página da Embrapa sobre o assunto:  www.consorcioantiferrugem.net que dá informações de como está a situação da ferrugem no Brasil nesse momento e é atualizado diariamente. Use os melhores produtos disponíveis, não se contenha com os mais baratos e procurem uma orientação técnica. Além disso, ficarem atentos à possibilidade de ocorrência maior nas regiões altas no Cerrado ou onde estiver chovendo. No Sul, apesar da estiagem, a previsão é de ter muita chuva em fevereiro e março. Então, poderemos ter muita dificuldade de fazer o milho safrinha por causa do porte de chuva previsto para o final de março. Por isso, os produtores precisam caprichar no controle da ferrugem porque a soja vai ser a única ou principal cultura para muita gente.

 

 

Clique aqui, ouça a íntegra da entrevista concedida com exclusividade ao Jornal Dia de Campo e saiba mais detalhes da tecnologia.
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